Leda Nagle: Mudar é preciso

Continuo na mesma onda. Desapegar é a palavra de janeiro. Tudo leva ao mesmo verbo

Por O Dia

Rio - Continuo na mesma onda. Desapegar é a palavra de janeiro. Tudo leva ao mesmo verbo. Para cortar custos é preciso desapegar. No supermercado, é preciso mudar de marca de produto, trocar um tipo por outro, um legume por outro, uma carne por outra. Na TV a cabo e no celular, a troca é de um pacote por outro. Nos e-mails, as ofertas se multiplicam e as tentações também. O mundo do consumo está em oferta. Tem até assinatura mensal de cesta de produtos sem glúten. Tudo anunciado pela metade do preço. Mas quem se lembra do preço de ontem?

Pelas ruas da cidade, de qualquer cidade, as placas de aluga-se, vende-se parece que tomaram fortificante. Estão por toda parte. E as placas de desconto também. Mas não há ninguém nas lojas. Nos supermercados também o movimento é visivelmente menor. Nos salões de cabeleireiro chega a ser assustador o número de cadeiras vazias. Aquele burburinho de sempre deu lugar a um silêncio constrangedor. Em tempo de férias, a única solução é procurar achar graça nas coisas que você tem em casa porque se mexer custa dinheiro. E dinheiro é o problema ou a grande questão de janeiro. De todo janeiro. A gente é que se esquece, ficamos embalados pelas promessas das festas de final de ano e janeiro teima em trazer a realidade de volta. Talvez seja a hora de retomar um hábito dos anos 70, quando éramos mais jovens e no final de semana, juntámos a carne assada de um com a maionese da outra para almoçarmos todos juntos. Para onde foi este hábito? Por que é que ficou feio em alguns grupos?

Nem todo mundo perdeu este jeito. A manicure, boa de forno e fogão, me mostra as fotos da ceia de natal. Mesa farta de dar água na boca. E vai explicando, sem cerimônia, minha prima fez as rabanadas, minha tia levou o bolinho de bacalhau, eu fiz o pernil e por aí vai. Sabe aqueles livros que você separou para ler durante o ano passado e não leu? A hora é esta. Pelo menos já estão pagos. E podem ser dados ou emprestados depois da leitura para alegria de outros, que também não estão podendo se jogar nas livrarias como gostariam. Arrumar os armários de roupas também podem ajudar a vencer a vontade de ir ás compras. Olhando daqui e dali pode ser que você encontre uma camisa que não usou no ano passado mas que tem tudo a ver com este ano, é clássica e pode ser resgatada para a sua nova temporada. É uma maneira objetiva de não cair na tentação que todas as vendedoras vão lhe propor: a divisão da conta em dez vezes. Acaba a roupa e não acaba a conta.

Claro que mexer em guarda roupa tem seus riscos. Você pode constatar ,por exemplo, que não cabe mais em determinadas roupas e se aborrecer, mas pode servir de incentivo também para mudar de hábitos. E já que você está, como todos, até os ricos, mudando de hábitos, porque não?

E-mail: comcerteza@odia.com.br

Últimas de _legado_Opinião