Célio Lupparelli: O abismo entre o povo e a política

A maioria não acompanha nem de longe o trabalho dos parlamentares que elegeu

Por O Dia

Nos últimos anos, a população se distanciou ainda mais dos políticos, em termos de credibilidade. Não há interesse das pessoas em procurar saber as atribuições de um vereador de sua cidade ou de um deputado do seu estado. Isto é muito ruim para a democracia.

No que concerne às Comissões Permanentes da Câmara do Rio, há um desconhecimento completo. Poucas pessoas tomam ciência da existência delas. Compostas por três vereadores para cada tema, como Educação, Saúde, Transportes, Direitos da Criança e do Adolescente, não são do conhecimento do cidadão comum. Mas são responsáveis pelos pareceres a respeito dos projetos de lei que tramitam na Câmara de Vereadores. Além disto, é sua atribuição promover estudos, pesquisas e investigações sobre questões de interesse público, relativas à sua competência.

No caso específico da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente, que presido, entre as funções está a de receber denúncias sobre tudo que fere os direitos da infância e encaminhá-las aos órgãos que os defendem. Entretanto, por desconhecimento da população, crianças em condições de vulnerabilidade, sofrendo com abandono da família, trabalho escravo, falta de vagas na escola e de leitos em hospitais e abuso sexual não têm o apoio da Câmara como deveriam, porque a Comissão dos Direitos da Criança não é acionada.

Milhares de brasileiros foram às ruas contra o aumento das passagens, pelo fim da corrupção e até pelo impeachment da presidente. Mas pouquíssimos já assistiram a uma sessão na Câmara de Vereadores de sua cidade ou Alerj. A maioria não sabe como funciona essas Casas de Lei e não acompanha nem de longe o trabalho dos parlamentares que elegeu. No máximo, muito superficialmente pela mídia.

Esse distanciamento acaba mantendo os políticos numa zona de conforto nada proativa. E, quando o cidadão comum deixa de fiscalizar seus representantes e deles cobrar atitudes honrosas, percebemos que a população tem muito mais culpa da crise em que estamos do que imagina.

Há que se fazer um trabalho de conscientização, a começar pelas unidades escolares, para que possamos reverter esse quadro e tenhamos uma efetiva e consciente participação política. É uma questão de cidadania.

Célio Lupparelli é vereador pelo DEM

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