Wagner Victer: Para não perder a onda do avanço do turismo

O fantasma de ter uma rede hoteleira com vagas ociosas começa a preocupar

Por O Dia

Desde a escolha do Rio, em 2009, para sediar a Olimpíada de 2016, foram muitos investimentos na rede hoteleira que afastaram para bem longe o agouro dos pessimistas. Estes diziam não ser possível atender à demanda da hospedagem, tendo de recorrer a navios ancorados no Porto.

Em função do evento, foram investidos R$ 10 bilhões no setor, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. Passamos de 28 mil quartos, em 2009, para 56 mil quartos!

Entretanto, com o encerramento dos Jogos, o fantasma de ter uma rede hoteleira com vagas ociosas começa a preocupar. Os hotéis do Rio estão neste momento com cerca de 40% de ocupação. Durante a Olimpíada a lotação chegou a ser de 94%.

No Rio, além das obras de infraestrutura, dos ganhos ambientais, das novas arenas e da melhoria da mobilidade urbana, treinamos milhares de jovens que se especializaram em carreiras do setor de Hospitalidade e Lazer. São jovens, muitos da nossa rede estadual de ensino, e a maioria em seu primeiro emprego, que se qualificaram na prática para atuar no segmento. Agora o desafio é manter o turismo em alta, facilitando a atração de visitantes e mantendo estes empregos e oportunizando a grande imagem do Rio obtida internacionalmente.

Mais de um milhão de turistas visitaram a cidade em agosto, 410 mil estrangeiros. A maior parte veio dos Estados Unidos (17%). Seus gastos diários foram, em média, de R$ 424,62, gerando riqueza na cadeia de serviços.

Vale lembrar que o Brasil, por nossa diplomacia, alegando o princípio da reciprocidade, é um dos poucos países que exigem vistos para turistas oriundos dos EUA. O governo federal também aplica tal exigência para Japão, Canadá e Austrália, países que têm grande potencial de enviar turistas para o Brasil.

Neste contexto de pós-Olimpíadas e com a crise econômica, vale manter o entrave de exigir vistos para entrada daqueles mesmos americanos que representaram a maioria dos estrangeiros que vieram nos visitar?

A resposta é lógica: não! Para não perder a onda e em um pragmatismo econômico, o governo federal deve buscar uma forma de eliminar tal exigência para países que trazem potencialidades para incremento econômico na nossa cadeia de serviços.

Wagner Victer é secretário estadual de Educação

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