AfroReggae acusa pastor Marcos por incêndio na Grota

Sede do jornal ‘A Voz da Comunidade’ é destruída. Homem atingido pelas chamas foi indiciado

Por O Dia

Rio - A Polícia Civil vai investigar a possível participação do pastor Marcos Pereira — líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, preso por estupro e suspeito de homicídio — no incêndio na sede do AfroReggae, na favela da Grota, Complexo do Alemão, ocorrido na madrugada desta terça-feira. O prédio, de três pavimentos, teve um andar destruído — onde funcionava o jornal “Voz da Comunidade” — e outro atingido pelas chamas.

Um homem que teve 30% do corpo queimado foi indiciado por incêndio criminoso e está sob custódia no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, em estado grave. Wagner Moraes da Silva, de 20 anos, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, que chegou ao local por volta das 4h30.

Rene Silva%2C de 19 anos%2C que ficou conhecido com seu jornal na ocupação do Alemão em 2010%2C garantiu que o incêndio não abalará seu trabalhoSeverino Silva / Agência O Dia

Além de queimado, ele foi cortado por estilhaços de vidro. Wagner alegou que é morador e que estava tentando conter as chamas, mas a polícia o considerou um dos suspeitos do crime.

“Ele não é conhecido na comunidade e admitiu que uma garrafa explodiu e o machucou”, adiantou o delegado da 22ª DP (Penha), Reginaldo Guilherme da Silva. Uma ação criminosa é a principal linha de investigação, já que aparelhos eletrônicos foram roubados e havia forte cheiro de gasolina no local. A perícia encontrou uma lata de solvente e sinais de arrombamento. Havia três focos de incêndio. A polícia duvida que Wagner tenha agido sozinho.

“Depois que fizemos a denúncia que levou o pastor Marcos à cadeia, recebemos inúmeras ameaças, houve o tiroteio na Corrida da Paz (em maio) e, agora, este ataque. Quiseram atingir o AfroReggae e não me surpreenderia se algo de ruim acontecesse comigo ou com um dos meus colaboradores”, disse José Júnior, coordenador da ONG que atua nas favelas há 20 anos. O advogado do pastor Marcos, Luiz Carlos da Silva Neto, refutou as acusações.

José Junior acusou o pastor Marcos de ter encomendado o incêndioSeverino Silva / Agência O Dia

Mobilização online para que trabalho do jornal continue

Rene Silva, de 19 anos, que ganhou fama junto com seu jornal na ocupação do Alemão em 2010, garantiu que o incêndio não abalará os trabalhos da Voz da Comunidade.

“O equipamento de filmagem, de rádio, além de móveis e o arquivo do jornal (que circula desde 2005) foram perdidos”, relatou. “Vamos trabalhar com os recursos que temos e buscar os parceiros. Nas redes sociais já há mobilização para nos ajudar”, adiantou.

O AfroReaggae estava prestes a inaugurar os dois primeiros andares do prédio. No local, funcionaria a partir do dia 5 do mês que vem o projeto “Na Favela”, com cerca de 30 universitários. Eles passariam 15 dias na Grota, aprendendo sobre a realidade da comunidade e usando seus conhecimentos acadêmicos para ajudar a população.

Justiça concede habeas corpus a Marcos em processo por coação de testemunha

A 7ª Câmara Criminal concedeu por unanimidade habeas corpus ao pastor Marcos no processo em que ele responde por coação de testemunha. A decisão não trata de pedido de liberdade ao pastor e sim anula a denúncia feita pelo Ministério Público, aceita pela Justiça.

O relator do processo foi o desembargador Siro Darlan. Os autos do inquérito vão retornar ao Ministério Público. O pastor, no entanto, segue preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, onde está há dois meses acusado de dois estupros. Advogado do religioso, Luiz Carlos da Silva Neto chamou de absurdas as novas acusações feitas por Junior.

Foi a partir de denúncias também feitas por ele que a polícia abriu inquérito e prendeu o religioso. “São acusações sem provas. É fácil apresentar alguém que está preso como culpado. Tudo o que vai acontecer agora é culpa dele?”, questionou.

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