O verão do babadinho e dos preços surreais chega ao fim

Último domingo da estação ganha tabela de preços nas praias e consagra modelo de biquíni

Por O Dia

Rio - Com sensação térmica de 41°, cvariocas lotaram as praias ontem para se despedir da estação que é a cara do Rio. Às 13h57 de quinta-feira, a cidade dá adeus ao verão dos preços surreais, do stand-up paddle, do ‘Beijinho no Ombro’, dos biquínis de babadinhos, da sujeira e do calor.

O balanço da temporada mostra que há tendências que vieram para ficar, caso do stand-up paddle, que ganhou variações como ioga sobre a prancha. Na seara da moda, o biquíni de lacinho continuou reinando absoluto, e a criatividade ficou com os babados e franjas que dão volume aos seios. A farmacêutica Raquel Botelho, 31 anos, apostou na tendência: “Já uso desde antes de a moda se consolidar”.

Neste verão, dois foram os hits: o axé do Psirico, grupo baiano criador do ‘Lepo Lepo’, e o funk de Valesca Popozuda, a musa boazuda de ‘Beijinho no Ombro’. No YouTube, o clipe da carioca tem 16 milhões de visualizações na página oficial. O do Psirico, 10 milhões. Uma das marcas da estação que ninguém quer lembrar é a da sujeira das ruas e areias durante a greve da Comlurb no Carnaval.

O stand-up paddle chegou para ficar%3A virou mania e já se desdobrou até em stand-up iogaCarlo Wrede / Agência O Dia

Outra surpresa para esquecer são os preços nas alturas do Rio pré-Copa, que originaram o movimento ‘Rio Surreal’, de boicote às cobranças abusivas. “Em Copacabana, cobravam R$ 28 pelo aluguel de uma barraca e duas cadeiras. Absurdo”, disse a engenheira Juliana Rebelo, de 31 anos. Já a estudante Lyanna Rosa boicotou um estabelecimento da Lagoa que vendia um pastel a R$ 8.

“Foi um choque. Não comprei”, disse. O jeito para driblar os preços foi levar comida e bebida de casa. A prática virou moda e ganhou até nome: ‘Isoporzinho’. “No Carnaval, muita gente levou seu próprio isopor para os blocos”, contou a estudante Patrícia Vieira, 18 anos.

A medida oficial também chegou, mas atrasadíssima. No sábado, o Procon Carioca distribuiu uma tabela de preços para serem usados pelos barraqueiros. A intenção é coibir a variação, já que os barraqueiros muitas vezes fixam valores de acordo com a cara do freguês. Se depender do clima, o carioca pode curtir este restinho de verão: o tempo continua firme até quarta-feira.

Duas jovens e seus biquínis de babadinho, uma das principais tendências da moda praia 2014Fernando Souza / Agência O Dia

Beijinho no ombro


1. Stand-up: O esporte que chegou ao Rio em 2009 mostrou que não era uma moda passageira e se consolidou neste verão. Tanto que surgiram até derivações da atividade, como o stand-up ioga, adotado por famosas, como a atriz Carolina Dieckmann e a modelo Yasmin Brunet.

2. Falta de chuva: Foi difícil trabalhar debaixo do sol escaldante, mas os cariocas puderam aproveitar bem os fins de semana. O Rio teve o verão mais seco dos últimos 30 anos, o que se traduziu em mais dias de praia. Segundo o Climatempo, há previsão de chuva no dia 20, abertura do outono.

3. Isoporzinho: a criatividade imperou na hora de fugir dos preços surreais. Um movimento que caiu no gosto popular foi o ‘Isoporzinho’, que consiste em levar sua própria bebida e comida para a farra. No Carnaval, muita gente levou sua própria cerveja e sacolé para os blocos.

4. Visitas ilustres: Nesta estação, as águas cariocas ganharam a presença de arraias e baleias que encantaram os banhistas. Na sexta-feira, várias arraias deram o ar da graça em São Conrado. Já as baleias da espécie Bryde apareceram na última segunda e na quarta-feira nas praias do Leblon e de Copacabana, Zona Sul do Rio.

5. Biquíni de babadinhos: Foi o preferido das cariocas nesta temporada. Liso ou estampado, e de preferência com lacinho na parte de baixo, ele reinou nas areias. Os modelos de franja também fizeram sucesso na praia.

Deu ruim

1. Lixo: A greve dos garis da Comlurb mostrou o quão estarrecedora é a produção de lixo nas ruas e areias da cidade. Um dia após o fim da greve, foram retiradas 18,2 mil toneladas de resíduos.

2. Preços surreais: Barracas e cadeiras a R$ 28, pastelzinho por R$ 8. O que não faltou neste verão foram preços absurdos. Os abusos renderam uma página no Facebook e o movimento ‘Rio Surreal’, criados para tentar lutar contra quem cobra esses valores fora da realidade.

3. Calor: No dia 3 de janeiro, uma sexta-feira, a sensação térmica chegou aos 51°. O calor foi tanto que o sistema de sprinklers — de combate ao incêndio — do Shopping Leblon foi acionado automaticamente. Usar roupa social estava tão impraticável que surgiu o movimento ‘Bermuda Sim’, um apelo à flexibilização dos trajes masculinos no ambiente de trabalho.

4. Engarrafamento: A derrubada da Perimetral, o fechamento do Mergulhão da Praça 15 e as mudanças de mão na Avenida Rio Branco enlouqueceram os motoristas no início deste ano. No dia do fechamento do Mergulhão, o metrô bateu recorde de passageiros. Foram 803 mil pessoas transportadas.

5. Arrastões: Marca da década de 90, os arrastões ensaiaram um novo retorno às praias cariocas no fim do ano, assustando os banhistas. Felizmente, o policiamento foi reforçado, e os ataques cessaram nos primeiros meses de 2014.

Reportagem de Luísa Brasil

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