Futura primeira-dama ajudará Pezão a governar

Maria Lúcia Cautiero Horta Jardim, ex-secretária de Piraí em três gestões, diz que futuro governador, que assume em abril no lugar de Cabral, é simpático "de perto"

Por O Dia

Rio - Aposto que muita gente já deve ter dito ao vice-governador Luiz Fernando Pezão que ele deveria agradecer aos céus por ter a seu lado a esposa que tem. Eu diria que Pezão deveria agradecer todos os dias por Maria Lúcia Cautiero Horta Jardim— para ele, a Biluca — não ser candidata da oposição ao governo do estado.

Dia 4 de abril, Sérgio Cabral passará o cargo para Pezão — Luiz Fernando, para ela. Além de administrar o estado, ele vai tentar se eleger governador pelo PMDB. A futura primeira-dama do estado promete que ajudará o marido nas duas tarefas, mas não gostaria de assumir uma secretaria no governo. Ao mesmo tempo simpática e discreta; franca, mas cuidadosa com cada palavra, a ex-secretária de Fazenda de Piraí diz que ainda está “pensando” no “papel” que terá a partir do mês que vem.

Pezão e Maria Lúcia se conheceram aos 10 anos e casaram em 1993%2C em Piraí. No fim do mês%2C o casal se muda para um apartamento em LaranjeirasCarlo Wrede / Agência O Dia

“Em Piraí, eu tinha uma história construída. Aqui não”, explica, ao lembrar que assumiu o posto no município antes de se casar com Pezão. O casal se conheceu na escola, em Piraí, quando ambos completaram 10 anos. Ele estava em sua terra natal; ela, mineira de Belo Horizonte, foi para lá com a família quando tinha três. Maria Lúcia se casou aos 22 e teve dois filhos, hoje com 35 e 33. Pezão foi ficando solteiro.

Senso de urgência

Quando ela se separou, aos 28, o amigo continuava por perto. Até que ficou mais perto e quando completaram 38 anos, em 1993, começaram a namorar. Era dia 1º de janeiro. No dia 11 de junho, estavam casados. Isso porque Maria Lúcia não tem o chamado “senso de urgência” de Pezão, que queria casar em 15 dias. “Senso de urgência” foi o nome bonito que um amigo inventou quando alguns, mais francos, chamavam o então prefeito de Piraí de “ansioso” mesmo.

Fato é que quando Pezão assumiu seu primeiro mandato na cidade, em 1997, Maria Lúcia já tinha sido secretária de Fazenda dos três governos anteriores. Formada em Direito, ela trabalhou na prefeitura por 33 anos. Hoje, ri quando lembra que um dos filhos ficou preocupado com a possibilidade de a população reclamar que a mãe, mantida no cargo, era beneficiada por “nepotismo”. Segundo ela, ninguém reclamou. “Ele tinha que casar comigo para virar prefeito”, diverte-se Maria Lúcia.

E desabafa: “Ele foi o prefeito de Piraí que mais me deu trabalho. Ele tem a pior coisa do mundo, que é memória fotográfica.” Segundo Maria Lúcia, quando era secretária e Pezão, prefeito, uma vez ele viu sobre a mesa dela um documento com a movimentação financeira do município. Dois dias depois, em casa, quis saber sobre uma conta. “Ele lê um negócio e não esquece. Eu não lembrava que conta era, e ele sabia até o centavo.”

Maria Lúcia também acha que, do jeito que o peemedebista trabalha — às vezes mais de 12 horas por dia —, se também estiver ocupada em tempo integral, “não há casamento que resista.”

Sem cansaço no trabalho, mas preguiça para passeio

No fim deste mês, o casal vai se mudar para um apartamento na Rua Pinheiro Machado, perto do Palácio Guanabara, em Laranjeiras. Assim, Pezão vai economizar mais ou menos uma hora no trajeto entre trabalho e casa, hoje no Leblon. Mas Maria Lúcia sabe que não tem chances: “Eu queria negociar que essa hora ficasse para mim, mas já vi que dancei. ‘Perdi.’” Se ela acha que Pezão vai almoçar em casa? “Duvido. Almoço lá no Palácio é trabalho. Normalmente é para receber alguém.”

A mulher do vice-governador ainda não sabe se prefere ser fotografada com ou sem óculos. Não dá corda para conversa sobre bobagens em geral com jornalista (estou até agora sem saber onde é o cabeleireiro dela). E ainda não decidiu o que irá vestir na cerimônia de transferência de cargo de Cabral para o marido: “Não tenho o menor problema de repetir roupa. Acho saudável.” Mas assessores acham que, no fundo, “a ficha ainda não caiu” para os dois, que fazem 59 anos em 2014.

Maria Lúcia parece ter orgulho porque Pezão “não tem cansaço” para o trabalho. Mas não esconde a irritação porque a preguiça só aparece na hora de viajar a passeio. A boa notícia é que a moleza passa quando o destino está entre os preferidos dele: Piraí, Paraty, Visconde de Mauá e Tiradentes (MG).

ENTREVISTA: Pezão é simpático 'de perto'

1. A senhora acha que Pezão vai ser eleito?

Tenho certeza. A população vai ver nele a pessoa preparada para administrar o estado.

2. Se houver crise no governo, pode atrapalhar a campanha?

Ele vai saber sair da crise.

3. E se ele não for eleito governador?

Não conto com esta possibilidade. Agora, é lógico que em eleição um ganha, o outro perde. Se perder, vamos tocar nossa vida do mesmo jeito. Mas continuo afirmando que ele vai ganhar.

4. Há quem diga que seu marido não é carismático...

Ele não tem aquela simpatia exagerada. Não é aquela pessoa de muito oba-oba. Mas ele é simpático de perto.

5. Qual a maior qualidade dele?

Integridade.

6. E o maior defeito?

(Silêncio)

7. A senhora parou para pensar. Ele não tem defeitos ou são muitos?

(Risos) Os defeitos dele só fazem mal a ele... Ah, ele não briga, mas vai ficar quietinho e vai fazer o que quer.
8. Isso é defeito?

Eu acho.

Últimas de Rio De Janeiro