Polícia cerca estelionatários que dão golpes em hospitais privados

Delegado de Volta Redonda pede ajuda à polícia do Mato Grosso do Sul para apurar

Por O Dia

Rio - A polícia do Rio e de Mato Grosso do Sul articulam parceria para prender a quadrilha especializada em aplicar golpes em parentes de pessoas internadas em estado grave nos hospitais privados do Sul Fluminense— conforme denúncia publicada pelo DIA nesta terça-feira. Esta é a estratégia do titular da 93ª DP (Volta Redonda), delegado Antônio Furtado.

“Já encaminhei pedido à Justiça para autorizar autorizar que agentes de Mato Grosso do Sul ouçam, por carta precatória, ‘Luciana’ (codinome dado pela polícia), supostamente dona de uma conta poupança na Caixa Econômica Federal, na cidade de Três Lagoas, na qual foram depositados pouco mais de R$ 10 mil pela família de um paciente de 73 anos, de Volta Redonda”, disse Furtado.

Ele vai pedir também a quebra do sigilo financeiro da conta de ‘Luciana’, para apurar se houve outros depósitos. E ainda a quebra de sigilo telefônico do Hospital Unimed de Volta Redonda, onde foram registrados dois casos.

No Hospital da Unimed%2C em Volta Redonda%2C foram registrados dois casos. Em em deles%2C família de paciente internado teve prejuízo de R%24 10 milDivulgação

Um deles ocorreu no dia 2 deste mês, quando um criminoso, se passando pelo médico de um idoso de 73 anos que ainda fazia exames para detecção de câncer, telefonou para o quarto onde estava, sozinha, a mulher do paciente, de 73 anos. O golpista ofereceu um remédio que custaria cerca de R$ 10 mil e que não estaria disponível na unidade. A família acabou fazendo o depósito na conta de ‘Luciana”.

O golpe já havia sido aplicado na mesma unidade, causando um prejuízo de R$ 4 mil para a família de um doente terminal. Ontem, o delegado informou que houve a tentativa de um terceiro golpe, mas a família desconfiou a tempo. Também foi no dia 2, e o paciente estava no quarto ao lado daquele em que se encontrava o idoso cuja família pagou R$ 10 mil.

Segundo o delegado, há indícios de que os chefes da gangue são presidiários que dão ordens para comparsas fora do sistema carcerário: “Esse novo golpe se caracteriza por uma imensa crueldade, já que os bandidos se valem de parentes de pessoas bastante fragilizadas”, explica Furtado.

Médico presta depoimento

Apenas um dos 34 funcionários do Hospital da Unimed de Volta Redonda intimados pela polícia compareceu ontem à 93ª DP: o médico que teve seu nome usado pelo golpista para aplicar o golpe dos R$ 10 mil. Ele disse que usaram seu nome em outras ocasiões. Segundo o delegado, os 34 funcionários estavam de plantão no dia 2 de agosto, por isso serão interrogados.

“Quando atendi a ligação, a impressão que eu tinha era que falava com o médico que tinha atendido meu marido. Parecia que estava até com o prontuário em mãos, tamanha a riqueza de detalhes”, revelou a esposa do paciente de 73 anos. A Unimed que informou na véspera que está apurando as denúncias internamente, disse ontem que só comentará novamente o assunto após a conclusão das investigações.

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