'Se ele não fosse PM, hoje estaria vivo', diz avó de torturado na Baixada

Enterro de Bruno Rodrigues, de 30 anos, lotado na UPP Formiga, na Tijuca, foi realizado na manhã desta terça-feira. Vários policiais foram se despedir do amigo

Por O Dia

Rio - "Se ele não fosse policial militar, hoje estaria vivo". Foram com essas palavras que Edith, avó do soldado Bruno Rodrigues, de 30 anos, torturado e assassinado por criminosos na comunidade Dom Bosco, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, definiu a tragédia que acabou com a vida do neto.

Edith esteva, nesta terça-feira, no enterro de Bruno junto com a viúva e a prima, no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio. Muitos policiais militares também foram ao local se despedir do amigo.

PM morto com requintes de crueldade por traficantes em Nova Iguaçu foi enterrado nesta terça-feira em Irajá%2C na Zona NorteSeverino Silva / Agência O Dia


Abalada, Edith disse que não queria que Bruno escolhesse a profissão de PM, mas contou que era o sonho dele. 

A viúva Michele Pereira relatou que Bruno havia ligado para ela minutos antes de ser capturado. Ele contou que estava perdido e que havia colocado o endereço no GPS do carro. "Ele disse que achava que ali era uma comunidade. Eu falei para ele voltar. Logo depois recebi uma ligação do irmão dele perguntando onde ele estava. Eu avisei que ele havia voltado pois não estava encontrando o lugar. Depois não tivemos mais notícias". Bruno deixa um filho de 11 anos, fruto de seu casamento com Michele.

Soldado Bruno Rodrigues%2C de 30 anos%2C lotado na UPP Formiga%2C na Tijuca%2C foi enterrado com honras militares nesta terça-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

Cleide Dias, prima de Bruno, também afirmou que o fato da vítima ter sido identificada como PM culminou em sua morte. "Ele foi morto porque era PM. Revistaram o carro dele, viram a farda e fizeram essa crueldade", disse muito abalada.

Preso a cavalo e arrastado por um quilômetro

Bruno estava perdido no local quando foi capturado por traficantes, torturado e assassinado na comunidade Dom Bosco, em Nova IguaçuDivulgação

Segundo informações, Bruno, que era lotado na UPP Forminga, na Tijuca, estava com a farda no carro, pois ia trabalhar no dia seguinte. Ele estava voltando do Rock in Rio, depois de fazer o policiamento no local. Na ocasião, o PM ia ao encontro do irmão, que tem um centro espírita em Cabuçu, em Nova Iguaçu. O irmão havia pedido para que ele fosse buscá-lo, pois não tinha dinheiro para voltar para casa. 

A morte de Bruno Rodrigues teve requintes de crueldade por traficantes da comunidade na madrugada de segunda-feira.

O policial, após levar um tiro nas costas, foi arrastado amarrado a um cavalo por cerca de um quilômetro até a comunidade da Lagoinha. Ele ainda estaria vivo.

Ainda ontem, a polícia prendeu sete suspeitos e apreendeu seis menores. Um dos cavalos usados na tortura do PM pertence a um dos menores apreendidos, de 17 anos. Ele e um dos adultos teriam participação direta na morte do policial.

Bruno foi o 53º policial morto no Rio este ano. Outros 113 agentes ficaram feridos em ataques ou em confrontos de janeiro a setembro. Ele estava na corporação desde 2012. 

Nesta terça, a polícia continua fazendo operações na comunidade do Dom Bosco e nas localidades próximas para prender os suspeitos no assassinato do PM.


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