Rio inicia campanha sobre prevenção e tratamento de HIV e DST

O foco da campanha serão os jovens que, segundo dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, representam o segmento populacional mais infectado pelo vírus

Por O Dia

Rio - As unidades municipais de saúde do Rio de Janeiro iniciaram hoje ações de prevenção e oferta de testes para detecção de HIV e sífilis, na quarta edição da "Campanha Carioca de Prevenção – Teste, trate, viva melhor", que tem como objetivo a conscientização sobre as doenças sexualmente transmissíveis.

Pelo segundo ano, a Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Saúde e da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual, realizará de sábado, 28, até o dia 5 de dezembro, testes para detecção de HIV e sífilis em todas as unidades de saúde do município. Elas estarão mobilizadas para reforçar as ações de conscientização e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.

Vários pontos da cidade, como os Arcos da Lapa, a Praça Mauá, o Museu de Arte do Rio e o Parque Madureira, ficarão iluminados de vermelho até a próxima terça-feira, Dia Mundial de Luta Contra a Aids O coordenador Especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson, disse que a campanha consiste em duas etapas: de reforço das testagens em todo o município e de distribuição de materiais informativos e preservativos em diversos pontos da cidade durante os dias de carnaval.

“O Rio de Janeiro é, hoje, o município que mais faz testagem no Brasil, e isso é motivo de orgulho. Hoje nós temos a melhor campanha do Brasil porque ela leva o cidadão à unidade de saúde, onde não só ele faz a testagem mas tem acesso a diversos tratamentos” explicou.

O foco da campanha serão os jovens que, segundo dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, representam o segmento populacional mais infectado pelo vírus HIV há dez anos.

Para o vice-presidente da organização não-governamental Grupo Pela Vidda-RJ, Josimar Pereira, a falta de uma campanha contínua, focada na prevenção, é um dos motivos do aumento “assustador” do número de casos da doença. “Como o governo preconiza que existe tratamento e medicamento, as pessoas banalizaram e deixaram de usar o preservativo, mas não se falta dos efeitos colaterais e das consequências dos tratamento a longo prazo.

O foco deveria ser Viver melhor é se prevenir. Pelo menos duas vezes a cada mês deveria haver uma campanha maciça para que isso entre na cabeça das pessoas”, declarou ele, ao ressaltar que o tratamento é muito caro e um aumento exponencial da doença pode causar no futuro colapso no serviço e provimento gratuito de medicamentos.

Segundo Pereira, que também é representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS, embora não faltem medicamentos para o tratamento da doença, faltam profissionais capacitados para atender a essa população. “O problema é conseguir uma consulta, um médico que faça a avaliação em um curto espaço de tempo. Muitas vezes falta o acolhimento, a pessoa tem que aguardar de 30 a 40 dias para um consulta com um infectologista ou o resultado do exame”, comentou ele. “A indicação é de 48 horas, no máximo 72 horas, já ter uma consulta marcada, pois o resultado positivo afeta muito o psicológico do cidadão e a imunidade cai muito”.

Atualmente, 34.564 pessoas retiram medicamentos para HIV em unidades de saúde do município, algumas vindas de outras cidades. Em 2014, a secretaria realizou mais de 490 mil testes, sendo cerca de 212 mil testes para HIV e 281 mil para sífilis. Neste ano foram realizados 402.236 testes para as duas doenças até setembro.

Durante todo o ano, o teste para detecção do HIV/AIDS, sífilis e hepatite pode ser feito em todas as unidades de Atenção Primária (clínicas da família e centros municipais de saúde). Em todo o ano de 2014, a SMS realizou 212.612 testes para HIV e 280.756 para sífilis, totalizando 493.390 testes. Em 2015, até setembro, já foi realizado um total de 402.236 testes para as duas doenças. Em caso de resultado positivo, uma equipe de saúde estará preparada para orientar sobre o tratamento e tirar dúvidas. Este é um momento importante para que o paciente receba orientações sobre seu tratamento, esclarecer dúvidas e receber uma solicitação de alguns exames de acompanhamento.

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