Prédio do restaurante Filé Carioca é reaberto após quatro anos

Edifício Riqueza, na Praça Tiradentes, estava fechado desde a explosão do estabelecimento

Por O Dia

Rio - O síndico e condôminos do Edifício Riqueza, na Praça Tiradentes, no Centro, cortaram nesta quarta-feira a fita de reinauguração para comemorar a reabertura do prédio, que passou mais de quatro anos fechado desde a explosão do Restaurante Filé Carioca, em 13 de outubro de 2011. A tragédia deixou quatro mortos e 17 feridos e motivou duas denúncias do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), que ainda não tiveram decisões na Justiça.

Edifício Riqueza%2C local onde funcionava o restaurante Filé Carioca%2C foi reaberto nesta quarta-feira após quatro anos interditadoAgência Brasil

Neste período, os condôminos enfrentaram dificuldades para manter suas atividades e clientes ao longo dos anos, pagar as despesas de condomínio e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e, em alguns casos, os aluguéis, para funcionar em outro ponto da cidade. Agora que voltaram a ter acesso ao prédio, terão que reformar e adequar as salas às exigências do Poder Público. Entre elas está a instalação de sprinklers (chuveiros automáticos) para a segurança contra incêndio.

Severino Barreto e Maria das Graças Barreto consertavam equipamentos eletrônicos e fotográficos em uma das salas do prédio desde 1974 e perderam 80% dos clientes logo depois da explosão. Eles optaram por alugar uma sala do outro lado da Praça Tirandentes, mas, mesmo assim, tiveram dificuldades de reaver os frequeses. "Muita gente não sabe usar o computador para saber para onde a loja foi e ficou sem saber. Agora a gente espera que a divulgação faça alguns voltarem", contou Severino.

Condomínio gastou R$ 700 mil

Construído em 1961, o prédio passou por uma série de reformas para ser liberado pelo Corpo de Bombeiros. As partes hidráulica e elétrica tiveram que ser trocadas. O condomínio também custeou a recuperação de salas dos quatro andares de baixo, que foram as mais danificadas pela explosão do restaurante. O custo total está estimado em R$ 700 mil, e o trabalho ainda não foi finalizado.

A previsão é que toda a reforma do prédio seja concluída ainda no primeiro semestre deste anoAgência Brasil

"A gente lutou muito, ainda está lutando, mas o pior já passou", disse o síndico, José Diniz. "A reabertura representa para os condôminos um alívio grande, porque a maioria teve problemas sérios financeiros. Alguns faliram porque perderam o ponto e não puderam trabalhar, perderam seus clientes."

A inadimplência do condomínio chegou a 43%, mas hoje está em 26%. Além dos custos com a reforma, foi preciso quitar dívidas de conta de água e reforçar a segurança do prédio, que foi invadido e teve materiais roubados, segundo o síndico. Para garantir que isso não acontecesse novamente, os tapumes que fechavam a entrada do Filé Carioca foram substituídos por um muro e portões com grades.

A previsão do condomínio é que a reforma seja concluída ainda no primeiro semestre deste ano. Os corredores do Riqueza receberão nova iluminação e pintura, trabalho que deve durar entre 90 e 100 dias. Das 132 salas do prédio, oito estão fechadas e não há como entrar em contato com os donos. "Tem sala que o dono morreu e a família não mora nem no Brasil", disse o síndico. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros deve notificar esse proprietários, porque todos terão que instalar chuveiros automáticos.

A explosão do restaurante Filé Carioca%2C no dia 13 de outubro de 2011%2C deixou quatro mortos e 17 feridosCarlos Moraes / Agência O Dia

Processo aguarda sentença

A ação criminal proposta pelo Ministério Público para o caso está na etapa das alegações finais, na 19ª Vara Criminal da capital. A denúncia foi feita em 21 de outubro de 2011, oito dias depois da explosão. Encerrada essa fase, o processo receberá a sentença do juiz. Entre os dez réus, estão o dono e o gerente do restaurante que explodiu, o representante e o vendedor da firma de gás SHV Gás Brasil, que teria feito a instalação do botijão de gás em local impróprio, o antigo síndico do Edifício Riqueza e fiscais da prefeitura do Rio.

No ano passado, o Ministério Público deu início a outro processo, por meio de uma ação civil pública, acusando de impropridade administrativa os quatro fiscais da prefeitura que já respondem ao outro processo. Entre 2008 e 2011, o restaurante funcionou apenas com alvarás provisórios, o que, segundo o MP não poderia ter sido permitido por haver pendências com o Corpo de Bombeiros, a Secretaria Municipal de Saúde, da Vigilância Sanitária do Municipal e da Secretaria Municipal de Urbanismo. O processo também aguarda decisão em primeira instância.

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