Plano para assassinar major na Rocinha

Policiais são acusados de passar informações da ex-comandante da UPP Rocinha, que combatia o tráfico

Por O Dia

Rio - Um plano para matar a major Pricilla Azevedo, em 2014, quando ela era comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, com a colaboração de policiais militares da região, foi revelado hoje em reportagem do RJTV Segunda Edição, da TV Globo.

De acordo com troca de mensagens por celular, obtidas pela Polícia Federal (PF), com autorização da Justiça, Priscila, hoje porta-voz das UPPs, seria morta na ocasião porque estava interferindo na venda de drogas na comunidade.

Em uma das conversas, um PM diz ao chefe do tráfico local, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157: “Amigo, por que você não mata ela logo?”. Em outra, o bandido pede dicas sobre a rotina da major: “E a visão que você ia me passar da Pricilla, amigo?”

Pricilla recebeu prêmio internacional%2C que reconhece coragem e liderança de mulheres%2C de Michelle ObamaGetty Images

Outro PM envolvido no esquema responde: “Amigo, ela nem dá as caras direito aqui. Faz faculdade e então tem pelo menos uns dois ou três dias que ela não vem aqui para ir para a faculdade.”

Os policiais acreditavam que a morte de Pricilla aceleraria a troca de comando da região. Um deles comenta: “Tomara que venha essa major caveira (sic), amigo nosso, porque ele adora dinheiro. Fechamento legal”.

A polícia descobriu o plano em fevereiro de 2014. Seis meses depois, Pricilla deixou o comando. Ela tinha substituído, em 2013, o major Edson Santos, condenado por envolvimento no desaparecimento e morte do pedreiro Amarildo de Souza.

Desde a saída de Pricilla, a UPP da Rocinha teve outros três comandantes. A articulação foi revelada pela Justiça com mais uma condenação de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, a 30 anos por tráfico e pagamento a agentes públicos. Da Penitenciária Federal de Mato Grosso do Sul, ele comandaria o tráfico com ajuda de Danúbia Rangel, sua esposa, que está foragida, e que passaria informações a Rogério 157.

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