Mãe de bebê baleada em Caxias sonhava em ter um filho

Arthur também foi atingido por disparo, ficou paraplégico e luta pela vida

Por O Dia

Rio - Amigas de Claudineia dos Santos Melo, 29 anos, a mãe do recém-nascido Arthur, relatam ao DIA, neste domingo, que a maternidade era um sonho antigo da jovem. Claudineia foi baleada nesta sexta-feira na Favela do Lixão, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e está internada em estado grave no Hospital Moacyr do Carmo, mas estável. Já Arthur, também atingido pelo disparo, ficou paraplégico e luta pela vida no Hospital Adão Pereira Nunes. 

Claudineia sonhava em ter um filhoReprodução Facebook

Eloá Rodrigues, 36 anos, afirmou que a gravidez era desejo antigo de Claudineia. "Ela não podia engravidar, então fez um tratamento. Era o sonho dela ter um filho. Quando ela soube que está grávida, contou para gente, ficou muito feliz. Ela postava vários fotos, compartilhava, estava vivendo um sonho mesmo", disse, em visita a Claudineia.

A manicure Juliana de Oliveira, 29 anos, também relatou o quanto a vítima esperava pelo filho. "Estava tudo pronto. A Claudineia estava muito orgulhosa e aí aconteceu essa tragédia. Para ela, era muito importante ter um filho", afirmou. Outros vizinhos ouvidos pelo DIA, disseram não saber do tratamento para engravidar, mas também endossaram a vontade de Claudineia.

Eloá contou ainda que Claudineia morava na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, e quis morar perto da família do pai da criança, Klebson Cosme da Silva, que ainda vive no conjunto de favelas. No entanto, ela relatou a insegurança no local. "Ela vivia com medo de acontecer alguma coisa por lá. Achava a casa boa, mas reclamava da insegurança na comunidade".

Arthur luta pela vida

Arthur, o bebê recém-nascido que foi baleado ainda na barriga da mãe nesta sexta-feira, segue internado em estado gravíssimo no Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. Ferido por um disparo, ele ficou paraplégico, teve traumatismo craniano e está com um coágulo na cabeça, segundo o secretário de Saúde de Duque de Caxias, que definiu a sobrevivência da mãe e da criança como "um milagre" e disse que "para a medicina, a chance da criança viver é zero", mas que "tudo pode acontecer".

O bebê passará por novos exames para avaliar a extensão do danoDivulgação

A bala atingiu o ombro e atravessou o tórax, também pegando no lóbulo da orelha do bebê, que está com um hematoma no local. Ele foi atingido nos dois lados do pulmão e sofreu lesão nos pontos T3 e T4 da medula espinal. Serão feitos novos exames para definir a extensão dos danos na sensibilidade do bebê. 

Claudineia dos Santos Melo, a mãe, segue internada em estado grave, mas estável, no Hospital Moacyr do Carmo, em Caxias, onde ficará por pelo menos mais 15 dias. Os médicos agora trabalham para combater riscos de infecção, que poderiam agravar seu quadro. Ela fará dez dias de tratamento com antibióticos e permanece em observação. Claudineia está lúcida, mas ainda não foi informada sobre o estado de saúde do filho.

Relembre o caso

Grávida, Claudinéia foi atingida na pelve quando seguia para casa na Favela do Lixão, em Caxias. O tiro perfurou os dois pulmões do bebê, causou uma hemorragia cerebral e estilhaços de ossos atingiram sua coluna. “Não quero saber quem atirou, quero minha mulher e meu filho bem”, disse Kleber. Claudineia foi socorrida no hospital Moacyr do Carmo, onde deu entrada lúcida, e precisou passar por uma cesariana de emergência. 

Em nota, o secretário municipal de Saúde de Caxias, José Carlos de Oliveira, elogiou o trabalho da equipe do hospital: "O primeiro atendimento e os procedimentos foram fundamentais para a sobrevivência da mãe e do bebê. Aguardamos ansiosos e vamos acompanhar no que for possível para a recuperação da mãe e do recém-nascido".

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