Influência da família na escolha da profissão pode ser positiva

No entanto, especialistas dizem que vontade dos herdeiros precisa ser levada em conta

Por O Dia

Rio - Filho de peixe, peixinho é. O provérbio, normalmente usado quando os filhos seguem a carreira dos pais, na prática é encarado como uma grande vantagem profissional. Mas especialistas de RH alertam que a situação também pode comprometer o sucesso na profissão do herdeiro. Troca de experiencias, ao aprender previamente os erros e acertos da profissão, e já ter um network (rede de contatos), estão entre os pontos positivos. Entretanto, escolher a área somente por influencia do pai ou da mãe corre risco de provocar frustrações e ter, sobre os ombros, a responsabilidade de trilhar igual história de vitórias da família.

“O profissional que segue a carreira dos pais, em geral, segue orientação dos mesmos e tem a oportunidade de aprender previamente, com experiências vividas pelo pai ou pela mãe, quais são os erros e os acertos a serem evitados e seguidos na profissão. Em algumas carreiras esta orientação é ainda mais relevante, tais como em Medicina e Advocacia, pois muitas vezes os filhos herdam os clientes e contatos de seus pais e dão continuidade ao trabalho desenvolvido pela família”, diz André Sih, associado da Havik — consultoria de recrutamento e desenvolvimento de profissionais.

Os irmãos Eduardo e Cláudio Nasajon%2C sócios da Nasajon Sistemas%2C dizem que é fundamental estabelecer regrasDivulgação

Gustavo Aguiar, especialista em gestão de pessoas e projetos, diz que vê muitos pais que influenciam seus filhos de forma consciente e outros inconscientemente. Ele conta que alguns mal percebem que estão jogando suas próprias expectativas nas costas dos jovens.

Influência positiva

“Apesar de ser filho, ele pode ter vocação diferente da dos pais”, avalia Aguiar. “Considero que uma influência positiva dos pais é tentar orientar, ao máximo, seus filhos com a sua experiência de vida e usá-la para ajudar a entender quais são suas aptidões”, diz.

Um outro cuidado que os especialistas alertam é na relação com as empresas de família. Ou seja, filhos trabalhando na companhia dos país ou irmãos sócios de um negócio. Especialista em RH, Maurício Seixo, diz que todas as relações de sociedade são difíceis e requer conversa e bom senso. No caso dela ser familiar, o principal problema é a intimidade. “Ela destrói as barreiras da boa convivência, do ouvir, do reconhecer um erro”, relata Seixo.

Os irmãos Eduardo e Cláudio Nasajon, de 51 e 50 anos, respectivamente, são sócios há 32 anos na Nasajon Sistemas, empresa de software de contabilidade. Eduardo diz que é fundamental estabelecer regras. “Às vezes, pode-se misturar o profissional com o pessoal sem trazer problemas para a empresa. Porém, tudo deve estar claro e decidido em comum acordo”, diz.

Advogado têm quatro filhos na profissão

Luiz Fernando Gevaerd, 65 anos, advogado da área de Direito de Família, têm quatro de seus cinco filhos que seguiram sua profissão. “O principal benefício de adotar a carreira dos pais é o de encontrar uma ‘estrada já pavimentada’, com clientela consolidada e a atividade em pleno funcionamento”, analisa Gevaerd.

Entretanto, o advogado comenta que é conveniente que seja preservado o espaço para desenvolvimento do filho, sem precipitações. Ele diz que a influência é sempre positiva, desde que haja liberdade para o filho optar por outra profissão. “Entendo como natural que alguém bem sucedido numa profissão exerça uma legítima e saudável influência sobre os filhos, mas respeitando suas escolhas”, opina.

Rosana Arnaud%2C de 37 anos%2C trabalha como pai%2C Fábio Arnaud%2C de 80%2C há 21 anos no Grupo InquisaDivulgação

Diretora segue carreira do pai desde os 16 anos de idade

Diretora financeira do Grupo Inquisa, do setor de limpeza, Rosana Arnaud, de 37 anos, trabalha desde os 16 anos com o pai, Fábio Arnaud, de 80, e fundador da empresa. Rosana diz que o excesso de comparação, a dificuldade de conciliar as diferentes formas de pensamentos de gerações e a hierarquia familiar atrapalham.

“É positiva quando há crescimento pessoal e profissional, e quando há satisfação dos filhos na continuação do trabalho em família”, comenta.

Ela conta que complica quando não existe a separação de pessoa física e pessoa jurídica. “Quando isso ocorre, o melhor a ser feito, por segurança, é a formação de um conselho societário, onde sócios permanecem não atuando no operacional da empresa. Assim resguardamos a profissionalização e a cobrança de resultados”, diz.

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