Temperatura amena no verão não é sinal de mudanças climáticas

Especialistas comentam sobre o clima atípico para esta época do ano, que dominou conversas nas ruas e redes sociais

Por O Dia

Rio - O verão carioca mais fresquinho dos últimos tempos. As baixas temperaturas que dominaram o Rio nesses dias viraram tema preferido de comentários e conversas nas ruas e pelas redes sociais. Afinal, desde 12 de janeiro o sol não dava suas caras na estação mais quente do ano, esvaziando praias, bares e áreas de lazer a céu aberto. Mas meteorologistas e ambientalistas ouvidos pelo DIA garantem: não tem nada de anormal nesse fenômeno e as baixas temperaturas não podem ser confundidas com as temidas mudanças climáticas no planeta.

Positiva para alguns, negativa para outros, a chuva frequente, típica do mês de janeiro, trouxe desta vez o frio, a novidade do verão. A mínima registrada foi de 18 graus e a média ficou na casa dos 25. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas médias registradas neste período no Rio, consideradas normais, variam de 28 a 32 graus.

Lapa, terça-feira (19), às 14h: a chuva insistente fez despencar os termômetros. E teve carioca que tirou agasalhos do armário em pleno verão André Mourão / Agência O Dia

“É muito difícil atribuir um fenômeno tão imediato às mudanças climáticas. Caso tivéssemos no Cantareira, por exemplo, uma seca que durasse 10 anos, poderíamos atribuir sim à degradação pelo homem”, disse José Marengo, chefe da Divisão de Pesquisas e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Morador de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste, uma das regiões que costumam registrar as temperaturas mais elevadas na cidade, Osvaldo Rodrigues diz não lembrar de outro verão como esse. “É a primeira vez desde criança que eu lembro de chover e ficar tão fresquinho por um período tão longo. Eu lembro de quando eu morava na roça que podia chover três, quatro dias e o clima continuava abafado”, diz o aposentado de 68 anos que nasceu em Itaboraí e veio para a cidade aos 17.

Para André Nahur, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, o comportamento de hoje pode afetar as temperaturas no futuro. “Todas as nossas decisões cotidianas vão afetar, em longo prazo, a temperatura dos anos futuros. Essas temperaturas amenas podem acontecer, mas é importante ressaltar que as mudanças climáticas, o desmatamento, as ilhas de calor, são responsáveis por potencializar os efeitos do El Niño que ainda pode chegar com força total ao território brasileiro”, explica.


Massa de ar e nuvens trazem o ‘friozinho’

Para meteorologistas, a queda na temperatura pode ser vinculada a longos períodos nublados que evitam que os raios solares atinjam a cidade. “Essa chuva fininha, típica do verão, e o céu completamente cinza, com muitas nuvens, determinam a diminuição das temperaturas”, explica o pesquisador José Marengo, acrescentando que esse ano o Rio recebeu uma massa de ar mais fria, que não chega a ser polar, mas que diminuiu a temperatura.

Osvaldo%2C de 68 anos%2C não se lembra de chover e ficar tão fresco por um período tão longo nessa época do ano Rita Costa/Agência O DIA

Em nota, o Alerta Rio explicou que as temperaturas tendem a ficar mais amenas quando há muitas nuvens durante o dia. “Essas nuvens acabam bloqueando os raios solares e isso faz com que a temperatura não aumentem tanto. Além disso, em alguns dias tivemos ventos que vinham de quadrante sul, o que ajudou a trazer um ar um pouco mais frio”.

Reportagem da estagiária Rita Costa

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