Nos anais de Brasília

Por Fernando Scarpa Psicanalista

Se o Planalto ganha na CCJ, é o brasileiro quem perde. Essa conta é alta, chega rateada, mas ainda assim pesa no bolso. Eles distribuem cargos, e lá se vai a grana pela janela. Só o dinheiro vale, mas não vale mais que a honestidade que eles não têm e que o dinheiro não compra.

Aécio e Michel, dois sem-vergonhas, fizeram defesa invertendo a moral da lei. Podem roubar sem serem presos, é o foro para roubo explicado nessa máxima: o presidente está mantendo a estabilidade econômica, o país está estável, vamos em frente. Isso justifica tudo, bobagem dar atenção aos pequenos delitos dos intocáveis Temer e Aécio. Crime? Ora, que tolice, era só um dinheirinho para os alfinetes da Marcela.

No Parlamento, a bancada brada: deixa governar; se sair, a economia vai regredir. Está na cara, só não vê quem não quer: governo, bancos e empresários, em formação de quadrilha, seguram a economia e o presidente. É o 'acordão' funcionando, e nós pagando.

A maioria está "cagada". Não deve ser à toa que as expressões artísticas atuais estão "anais". Já vi evacuação azul em cena, deve ser de algum nobre, sangue e fezes da mesma cor. As representações denunciam a deterioração, o sentido desse tempo desnudo, apodrecido e louco. A expressão artística conta e localiza historicamente a idade do objeto de arte bem como o conflito do século de sua criação com o perdão dos mestres da arte, pelo palpite.

O retorno de Aécio ao Senado foi patético; os argumentos mais incriminavam que absolviam. É a moda Temer de defesa: descredencia o parceiro delator, esquece as provas, a amizade e os telefonemas. Até ameaça de matar se escutou nessa conversa de bandido. Se não era amigo e não é banco, convenhamos, ninguém pede dois milhões a um desconhecido que a irmã visita. Tentou justificar, só piorou. Esquecem a sabedoria popular: diga-me com quem tu andas que te direi quem és.

Estamos vivendo como na Rocinha, briga de quadrilha disputando poder. A droga aqui é o dinheiro, vício danado, não dá onda, não se aspira, mas dá frisson. Tem muito meliante solto, faz tempo que a ideia do bandido do colarinho branco não vinha à tona com tanta propriedade e personagens.

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Fernando Scarpa, colunista do DIA Divulgação

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