Espaços infantis nas delegacias do Rio

Na Rocinha, mães encontram brinquedotecas para os filhos

Por O Dia

A ideia é aliviar o sofrimento de quem precisa registrar uma ocorrência e está acompanhado dos filhos. Em quatro delegacias do Estado 11ª DP (Rocinha), Delegacia de Atendimento a Mulher (DEAM) de São João de Meriti, Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) e Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) policiais criaram pequenas brinquedotecas e bibliotecas que contam com mesas, cadeiras, livros educativos, lápis de cor, tapetes coloridos e brinquedos.

Na delegacia da Rocinha, o delegado Antônio Ricardo Nunes e seus inspetores implantaram o espaço, que tem até um berço. Tudo foi comprado após uma vaquinha que durou um mês.

"Nossas inspetoras viram essa necessidade. As crianças chegavam com os pais e viam policiais chegando com apreensões e presos, o que poderia traumatizá-las", lembra o delegado. Em menos de um mês fizeram uma vaquinha e compraram livros e brinquedos. "O objetivo foi tirar os pequenos da realidade hostil de uma delegacia. As mães ficam mais à vontade para prestar seus depoimentos", lembra a inspetora Danielle Gurgel, uma das responsáveis pela criação do espaço na Rocinha, ao lado da colega Renata Rodrigues. "Muitas mães, quando acabam o registro, perguntam se podem levar o brinquedo que seu filho estava usando. Sempre dizemos que sim". A delegacia mantem um banco de roupas que doa para pessoas que chegam ao local com filhos apenas com fraldas.

O mesmo tipo de espaço existe na Deam de São João de Meriti, na Baixada Fluminense "É impressionante a diferença que faz. As mães ficam mais a vontade e se sentem mais acolhidas", conta emocionada a delegada Elisa Borboni.

Além de servir para deixar os pais mais despreocupados, o espaço também é usado nas entrevistas com crianças, que passaram por algum sofrimento ou violência sexual. A conversa é feita por escrivãs com preparo para coletar informações sem causar maiores trauma na criança, que já chega na delegacia fragilizada com a situação de violência sofrida. "As vítimas se sentem mais a vontade e cooperam o que é essencial para as investigações", salienta Elisa.

Para a psicanalista de criança e adolescente Ana Maria Iencarelli, esses espaços são importantes, já que o ambiente de uma delegacia "é muito agressivo. Trata-se de um local carregado. A criança chega e não sabe o que pode acontecer. É preciso dar proteção para esses pequenos. Eles não podem ficar sozinhos, em momento algum", conclui Ana.

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