LAVA A JATO NÃO PARA

Flanelinhas atuavam livremente ontem em ruas com placas falsas que 'estendem' cobrança por vagas

Por JONATHAN FERREIRA

Um dia após a Polícia Civil revelar as fraudes no sistema de estacionamento público da cidade, sobretudo na Zona Sul, o esquema continuava funcionando normalmente nas ruas de Copacabana, apontada como o foco da quadrilha. As placas falsificadas do Rio Rotativo, com horário de cobrança mais extenso do que o estipulado pela prefeitura, continuavam instaladas ontem em diversas ruas, como a Sousa Lima, Bolívar, Santa Clara e Domingos Ferreira. Os flanelinhas atuavam normalmente e não havia operação para fiscalizar a autenticidade dos talões, já que as investigações revelaram que há muitos falsificados.

As irregulares na sinalização podem ser identificadas principalmente por dois detalhes. Nas placas oficiais, o período em que é obrigatória a utilização do tíquete do Rio Rotativo é de 7h às 19h (dias úteis) e 7h às 13h (sábados, domingos e feriados), enquanto na sinalização falsa os criminosos colocaram que o talão é obrigatório de 7h às 23h. Outro detalhe é que nas placas oficiais, a prefeitura escreve 'tíquete'. Já os criminosos, em muitos locais, usam a palavra 'ticket'. Os talões falsos podem ser reconhecidos pela falta de uma marca d'água na parte brilhante do bilhete. O brasão da prefeitura também foi falsificado e pode ser usado para distinguir os cartões.

O autônomo Pedro de Souza, de 32 anos, aproveitou a sexta-feira de sol para ir à praia com a amiga Luiza Ribeiro, 22, e foi pego de surpresa pela notícia sobre o esquema. "Não sabia que dava pra falsificar os talões. Mas é difícil saber se o flanelinha é credenciado, falta fiscalização e transparência", reclamou Pedro, que tinha acabado de pagar R$ 2 para estacionar na Avenida Atlântica, em frente a uma placa com o horário de exigência de tíquete, de 7h às 23h. O motorista do aplicativo Uber Thiago Rocha, 35, denuncia casos ainda em que há cobrança sem bilhete. "Você paga para estacionar, mas não recebe o talão."

Segundo o delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Gabriel Ferrando, que está à frente das investigações, o motorista que desconfiar da legalidade do talão ou da placa de sinalização deve procurar a polícia. "O motorista pode encontrar alguma dificuldade para identificar as irregularidades, pois não conhece parâmetros técnicos para distinguir. Caso o motorista suspeite de fraude, ele pode encaminhar o talão para a polícia para que o material passe por perícia."

As investigações começaram há quatro meses e os polícias pediram a prisão de cinco pessoas ligadas ao Sindicato dos Operadores de Tráfego e Guardadores de Veículos do Brasil (Sindotguave), que explora vagas na Zona Sul. O esquema faturava R$ 200 mil por semana, segundo Ferrando. O acusado José Renato Brito Ramos e Eduardo Lacerda Mendonça tiveram as prisões expedidas e são considerados foragidos. "A audácia é tanta que na Lagoa eles instalaram placa que dizia que tinha de pagar por dois tíquetes."

Galeria de Fotos

Agora as placas dos veículos ficam cobertas por plástico Maira Coelho/Agencia O Dia
Na Rua Domingos Ferreira, a placa falsa continuava ontem. No detalhe, o tíquete oficial é o da direita Alexandre Brum
Pedro Souza, ao lado de Luiza Ribeiro, diz que falta fiscalização Alexandre Brum / Agência O Dia
O tíquete oficial (da direita) tem a marca dágua na faixa prateada DIVULGAÇÃO POLÍCIA CIVIL
20/10/2017 - Suite da matéria sobre máfia que explora estacionamentos rotativos na zona sul com placas e bilhetes falsos e desta forma fatura milhares de reais. Na imagem, o autônomo Pedro Souza, ao lado de Luiza Ribeiro, diz que já sofreu abordagens de flanelinhas suspeitos. Foto de Alexandre Brum / Agência O Dia - CIDADE VEICULOS VAGAS ESTACIONAMENTO CRIME ESTELIONATO BILHETE PLACA FALSA CARROS MOTORISTAS ALEXANDRE BRUM
PLACA DIVULGAÇÃO

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