Tolos deprimidos da República

Por Fernando Scarpa Psicanalista

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Segunda-feira é complicado. Depois de um feriado longo, pior. O dia foi triste, lembramos dos que se foram, a saudade bate forte, inevitável. A semana inicia desafiadora, estamos esgotados, somos os mortos-vivos do Brasil, tempos sombrios.

É nesse clima que se constroem os dias e passam os meses, é o descaso do governo com as nossas vidas. No Planalto Central, Brasília fica longe, vive a realidade dos ternos elegantes e das malas de dinheiro circulando junto aos parlamentares de vida cara.

Extrair dinheiro do nosso bolso é simples, bastam poder, caneta e conchavos, e nós entramos com o suor do trabalho de meses para bancar a ciranda da felicidade do dinheiro fácil.

O STF, em audiência, bate boca na tela da TV; a tecnologia devassa o que acontecia no reservado, e a desfaçatez tem fisionomia é briga de facções? Parece que sim, todos são oriundos de partidos, é complicado trair padrinhos, basta manipular a lei segundo o réu, entregou o ministro Barroso.

Na primeira instância, o juiz deu muita confiança, e Cabral resolveu comandar a audiência, poder de ex-presidente! Quando o magistrado retomou o poder, perdeu a mão, Gilmar não perdoou. São desafetos em briga de estrelas. Na minha opinião, o ministro dono do país acertou na liminar.

O afetamento em que nos encontramos é consequência da desordem. O Estado corrompido falhou na função da manutenção e preservação da ordem e o desmoronamento veio em cascata. Governantes não introjetaram a lei, estão fora da lei, manipulam a lei, são regidos pela lei da transgressão, e não se reverte uma situação como essa que se construiu no país apostando num candidato numa próxima eleição. Não é possível governar essa espelunca com esse monte de partidos, impossível conciliar tantos interesses sem produzir corrupção, é ilusão. Somos os tolos deprimidos da República e não há pílula que dê conta. O dano é grande, e as consequências se apresentarão ao longo dos anos.

Aécio Neves de volta ao Senado foi cômico; Lula em campanha é delirante. Pretendendo governar o Brasil, Luciano Huck reeditará o ensaio que Silvio Santos no passado cogitou e desistiu. No meio da tragédia brasileira, o luto continua no eterno feriado do finado Brasil. Meus sentimentos!

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Fernando Scarpa, colunista do DIA Divulgação

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