MEDO AO VOLANTE

Com aumento de ataques de bandidos, motoristas cariocas mudam rotina para tentar evitar assaltos, tiroteios e arrastões. São seis carros roubados por hora

Por O Dia

Rio, 27/10/2017- Cariocas se tornam alvo de criminosos no transito. Ellen Paixao, já foi vitima de 2 arrastões, ela estava com a filha dentro do carro nas duas ocasiões. Foto - Maíra Coelho / Agência O Dia
Rio, 27/10/2017- Cariocas se tornam alvo de criminosos no transito. Ellen Paixao, já foi vitima de 2 arrastões, ela estava com a filha dentro do carro nas duas ocasiões. Foto - Maíra Coelho / Agência O Dia - Maíra Coelho / Agência O Dia

De janeiro a setembro deste ano, seis carros foram roubados por hora no estado do Rio. Com o aumento do delito, motoristas começaram a mudar os hábitos. A gastroenterologista Bárbara Lima (nome fictício), de 52 anos, moradora da Tijuca, seguia para o consultório na Rua Dias da Cruz, no Méier, no dia 19 de agosto. Seria mais um sábado normal de trabalho não fosse uma incômoda surpresa.

Ao decidir cortar caminho, entrou com seu Honda HR-V na pouco movimentada Rua Joaquina Rosa, uma transversal à Rua Lins de Vasconcelos. Foi quando avistou um Ford EcoSport vindo na direção contrária e fechou a passagem de Bárbara. Três homens armados desceram um deles com fuzil e renderam a médica. Ela só teve tempo de sair do carro, entregar seus pertences e ver o trio levar o veículo. Era seu primeiro carro automático, que foi aparecer após dois dias. Estava com vários amassados e sem diversos acessórios, quase que totalmente depenado. O seguro deu perda total.

"Desde, então, nem penso em comprar outro. Enquanto a situação da cidade estiver assim, não quero ter mais carro. Só tenho andado de táxi, os amarelinhos. Até mesmo Uber eu tenho medo, porque os ladrões também atacam, já que é um veículo como outro qualquer e sem identificação. É preocupante", avalia a médica.

Mudanças também começaram a fazer parte da rotina do administrador de empresas Thiago Soares, 35, que passou a acessar aplicativos e a página do Centro de Operações do Rio, antes de sair de casa, na Barra, para checar a situação do caminho ao trabalho, no Centro. "Mas, às vezes, não é suficiente. Eu e minha esposa passamos minutos antes de um tiroteio na Rocinha. Um amigo nosso trocou o carro por um blindado", conta.

A engenheira Ellen Paixão de 35 anos, foi alvo de dois arrastões em menos de um ano. Nas duas vezes, estava com a filha de 7 anos e conseguiu avisar aos bandidos que iria dar a volta para retirá-la do banco de trás. A última, em setembro, foi perto da Uerj, e a primeira, em Guadalupe. O carro foi recuperado nas duas vezes, mas com avarias. A rotina de Ellen mudou drasticamente após os ataques. "Depois das 20h, não saio mais de carro, uso o Uber. E evito prender minha filha na cadeirinha de bebê. Meu marido reclama, mas é instintivo, estou amedrontada. Busco uma maneira rápida de puxá-la em casos de um novo arrastão", confessa.

Galeria de Fotos

Thiago Soares diz que checa aplicativos antes de sair de casa para escolher o caminho mais seguro Maíra Coelho / Agência O Dia
Ellen já foi vítima de dois arrastões com a filha de 7 anos. O carro foi recuperado nas duas vezes, mas com avarias FOTOS Maíra Coelho / Agência O Dia
Rio, 27/10/2017- Cariocas se tornam alvo de criminosos no transito. Ellen Paixao, já foi vitima de 2 arrastões, ela estava com a filha dentro do carro nas duas ocasiões. Foto - Maíra Coelho / Agência O Dia Maíra Coelho / Agência O Dia
Rio, 27/10/2017- Cariocas se tornam alvo de criminosos no transito. Ellen Paixao, já foi vitima de 2 arrastões, ela estava com a filha dentro do carro nas duas ocasiões. Foto - Maíra Coelho / Agência O Dia Maíra Coelho / Agência O Dia

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