Emoção que vem do passado

Marcio Gomes canta hoje no Imperator e diz que procura unir eras da MPB no palco

Por RICARDO SCHOTT

Qual o segredo do sucesso de Márcio Gomes? Bom, vão aí algumas pistas. Aos 43 anos, o cantor - que encerra a agenda de 2018 com mais uma edição do show 'Eternas Canções' hoje no Imperator, às 16h - é praticamente o único de sua faixa etária a cantar repertório de MPB pré-bossa nova. Mantém o apuro no visual, além da voz empostada com a qual apresenta sucessos nacionais dos anos 1940 e 1950. Mas alterna o repertório com canções mais recentes, de Roberto Carlos, Taiguara e Chico Buarque.

Graças a isso, em vinte anos de carreira, Márcio chamou a atenção de um público bem grande no Rio - que inclui basicamente senhoras. E em novembro lotou o Theatro Municipal.

"Mas eu tenho fãs mais jovens também. As filhas começaram a levar as mães e as avós, e acabaram ficando fãs", conta ele. "Muita gente me chama de'o queridinho das senhoras', 'o rei das vans', porque as senhoras iam ao teatro de van. Lembro que quando eu cantava no Net Rio as vans entupiam o trânsito na porta", brinca. "Mas é um prazer cantar para esse público".

Cantando músicas dos repertórios de Francisco Alves, Cauby Peixoto, Silvio Caldas e outros reis da voz, Márcio procurou uma roupagem diferente para essas músicas. Ainda que dê a todas elas uma emoção que pertence ao passado.

"Meu canto é pré-bossa nova, é um diferencial. Mas eu não tenho uma prosódia empolada, costumo cantar como quem fala. Não tem aqueles 'r' forçados, que até afastam a plateia. Mas era uma época em que o cantor tinha que ter voz, porque o cara ficava embaixo da janela da amada fazendo serenata. Era o 'acoooooooorda'", brinca, emendando 'Patativa', do repertório de Vicente Celestino.

Aliás, justamente por cantar para um público que ainda pôde conferir originais como Cauby Peixoto - e ainda frequenta shows de Angela Maria - Márcio sabe que atende a uma turma exigente.

"Um crítico musical foi ver meu show. E eu cantei 'Serra da Boa Esperança', que é uma música difícil de cantar, porque começa no grave e vai lá para o agudo. Ele me disse que ficou falando o tempo todo: 'Tomara que ele erre! Ele vai falhar!'", conta. "E eu não falhei! Depois ele foi falar comigo e disse que ficou encantado".

TERNO

No palco, Márcio usa apenas ternos, com direito a lencinho no bolso. "Mas procuro usar cortes diferentes. Não sou o Cauby, que usava brilhos, mas não sou um chefe de departamento", conta. Se você esbarrar com ele na rua, periga nem reconhecê-lo. Ele anda sempre com "roupas esportes, mais pop. Mas o palco é sagrado".

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