Bruno Ferrari
Bruno FerrariSergio Baia
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Um sentimento pode ser construído? E se for, vale tanto quanto uma paixão arrebatadora?
O ator Bruno Ferrari, o Vicente de 'Tempo de Amar', aposta no sentimento amadurecido. "Acho que um amor que não nasce de uma paixão repentina, pode durar mais. E pela minha experiência, paixões podem ser acesas durante uma relação de amor também", opina. "Quando nos apaixonamos, só vemos o que o outro tem de bonito. Todo mundo se conhece mostrando o que tem melhor. E quando é amor, podemos ver os defeitos também e seguimos assim mesmo".
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Na trama, o estudante está apaixonado pela protagonista Maria Vitória (Vitória Strada) e vai fazer de tudo para conquistá-la.
"Essa história é muito bem construída. Começou com cada um falando das suas dores e amores. O Vicente falando da Carolina (Mayana Moura) e a Vitória do Inácio (Bruno Cabrerizo). E ali surgiu uma identificação muito grande. Se sentem à vontade um com o outro porque podem ser quem são. Não há nada que o impeça de ficar com ela. Mas ela tem a história do filha com o Inácio, mal resolvida".
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Vicente estava foragido após a denúncia falsa de Teodoro (Henri Castelli), falando que ele foi responsável pela explosão do navio. O estudante ficou um tempo escondido na fazenda dos pais de Edgar (Marcello Melo Jr.) e decidiu voltar para o Rio. É na volta e no reencontro com Maria Vitória, que o idealista tomará coragem e pedirá uma chance. "O amor dele por ela só vem crescendo", garante. E embora a mocinha não vá desistir da viagem à Portugal para ir em busca da filha, começa a ceder aos encantos dele. "Ele não consegue esconder o que sente, e não desiste. É mesmo difícil desistir quando amamos alguém. Ele vai lutar por esse amor. Não imaginei que Vicente fosse se aprofundar nessa relação", completa. E torce: "Não sei se vão ficar juntos, mas gostaria".
NA VIDA COMO NA ARTE
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Casado desde 2012 com a atriz Paloma Duarte, com quem tem Antônio de 1 ano e sete meses, Bruno acredita que como na ficção, um amor pode nascer de uma grande amizade. "Eu era amigo da minha mulher. Nos conhecemos há muito tempo, éramos confidentes. E lá se vão sete anos", revela. "Mas entre eu e a Paloma não havia impeditivos. Foi diferente do Vicente e da Maria Vitória".
Além de Antônio, Paloma é mãe de Maria Luiza, 21, com o músico Renato Lui, e de Ana Clara, 20, com Marcos Winter. E Bruno diz que não pretendem aumentar a prole. "Estamos muito felizes. Mas não queremos outro, estamos completos".
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PEDACINHOS NOS PERSONAGENS
O paulista de Catanduva voltou para Globo no ano passado em 'Liberdade Liberdade', após quase dez anos na Record. "Sair da emissora foi um processo de ambas as partes. Não estava mais satisfeito e eles estavam caminhando em outra direção na empresa. Acho bom mudar. Não ficar muito tempo no mesmo lugar", lembra. Para retornar à Globo, fez contatos e foi à luta. "Liguei para amigos da emissora. Falei com André Reis (produtor de elenco), com quem tinha trabalhado em 'Celebridade' (2003). E fiz o teste para 'Liberdade Liberdade'".
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Bruno é declaradamente apaixonado por história e por contar histórias. "Foram duas novelas seguidas de época quando voltei para Globo. O bacana é que coloco o figurino e já me sinto no personagem. Não sou um ator de composição, de trejeitos. Componho em cima das relações que tenho, mesmo estando situado na época, no caso, a década de 1920", esclarece o ator. "Mesmo sendo uma obra de ficção, tem a história ali. E adoro quando podemos fazer uma obra inseridos na história".
Apesar de habitarem séculos distintos, ator e personagem se misturam. "Acho o discurso do Vicente extremamente atual. É uma época que me atrai por conta disso. Progredimos e regredimos em vários aspectos", constata. "Ele tem vários pedacinhos de mim. O Wagner (Moura) disse uma vez que deseja ter menos máscara, que é bom para o ator ter menos disso. Ir tirando as máscaras e se expondo. O autor me permitiu expor, através do Vicente, vários pensamentos meus. Agradeci. Quando crescer quero ser o Vicente. Muito coerente em pensamentos e atitudes. Pensa no próximo e isso é raro".
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UNIVERSO VIRTUAL
O ator se define 'arcaico' no que diz respeito à vida cibernética. "Eu ainda pago conta no banco. A única rede que tenho é Instagram, porque curto fotos. E ele me permite também colocar minhas opiniões", diverte-se. Por conta do Vicente, Bruno está mais atuante nas redes. "As pessoas estão shippando #mavicente. As vezes olho, e sempre me divirto muito vendo isso. O Twitter é uma forma imediata de eu ter um termômetro do que está acontecendo. De ver o que o público está achando da novela".
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E como tudo na vida tem dois lados, ele reconhece que esta relação nas redes nem sempre retrata o melhor. "Fui no programa da Fátima (Bernardes) e dei minha opinião sobre o que aconteceu no museu (recente polêmica envolvendo nudez em exposições de arte) e fui criticado. Mas acho que cada um tem direito de postar o que quiser, de opinar. Concordar ou não", reflete. "Quando a pessoa é desrespeitosa comigo, eu nem olho. Ao mesmo tempo, isso expõe coisas encalacradas na sociedade, que sabemos que existem. E a redes sociais têm tornado isso visível. É um meio que abre para o debate".
SEM DESCANSO
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Para 2018 Bruno planeja mais trabalho.
"Tenho dois projetos de teatro e de série com a Paloma, minha mulher. Vamos levantar dinheiro para produção", divulga. "Não existe isso de descansar. Não consigo. Na verdade, o ator trabalha quando não está trabalhando. Nós sempre produzimos e corremos atrás dos nossos projetos também".
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