Líder de facção pede indulto

Defesa de chefe do Sendero Luminoso, preso, quer o mesmo perdão dado a Fujimori

Por O Dia

Alberto Fujimori agradeceu em vídeo o indulto de PPK, que admitiu: 'Foi a decisão mais difícil da vida'
Alberto Fujimori agradeceu em vídeo o indulto de PPK, que admitiu: 'Foi a decisão mais difícil da vida' - Reprodução do Facebook

O advogado do líder da guerrilha peruana Sendero Luminoso pediu ontem a libertação de seu cliente, Abimael Guzmán, condenado à prisão perpétua por terrorismo, após o indulto concedido ao ex-presidente Alberto Fujimori. "Peço a título pessoal e como advogado a liberdade de meu cliente, preso há 25 anos", afirmou o advogado Alfredo Crespo. Também ontem, Fujimori pediu perdão por atos de seu governo. No Peru, já há quem associe o indulto dado pelo presidente Pedro Pablo Kuczynski ao arquivamento do pedido de impeachment, três dias antes, no Congresso.

"Dão liberdade ao senhor Fujimori, que está condenado por fatos relacionados com a guerra interna que o Peru viveu, e (ao) meu patrocinado, que também foi condenado por fatos da guerra interna, e se encontra doente, não podem dar liberdade", indicou o advogado.

PPK concedeu o indulto no domingo a Fujimori, de 79 anos, condenado em 2007 a 25 anos pelas matanças perpetradas na luta contra as guerrilhas Sendero Luminoso e MRTA em 1991 e 1992.

Segundo Crespo, Guzmán, de 83 anos, sofre de "hipertensão, (doenças) do coração, depressão e psoríase" e "precisa ser visto por um médico todos os dias". O Peru necessita de uma absolvição integral para todos os protagonistas da guerra interna (1980-2000) e "uma reconciliação nacional", acrescentou o defensor de Guzmán.

"Não se pode dar liberdade a uma só pessoa. Se vamos falar de absolvição integral, deve-se dar anistia geral para civis, militares e policiais que foram parte da guerra interna que o país viveu" entre 1980 e 2000, disse.

Guzmán cumpre desde setembro de 1992 uma sentença à prisão perpétua por "delitos de terrorismo e crimes contra os direitos humanos". Além disso, um tribunal processa o líder do Sendero Luminoso por um atentado com carro-bomba em Lima em julho de 1992, que deixou 25 mortos.

A guerra interna deixou cerca de 70 mil mortos, segundo relatório da Comissão da Verdade e Reconciliação Nacional. O governo de Fujimori (1990-2000) derrotou militarmente o Sendero, embora ainda haja alguns remanescentes em regiões de selva que atacam ocasionalmente e que estão aliados com narcotraficantes, segundo o governo.

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