Nova oportunidade para o Waack

Por Roberto Muylaert Editor e jornalista

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Texto do Portal do Conselho Nacional de Justiça: "Em geral, o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes a raça ou cor, com a intenção de ofender a honra da vítima. Exemplo recente de injúria racial ocorreu no episódio em que torcedores do time do Grêmio, de Porto Alegre, insultaram um goleiro de raça negra chamando-o de macaco, durante o jogo.() Após um acordo (), a ação por injúria foi suspensa.

Já o crime de racismo, previsto na Lei 7.716/1989, implica conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade e, geralmente, refere-se a crimes mais amplos (), ,por exemplo, recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou às escadas de acesso, negar ou obstar emprego em empresa privada, entre outros.

De acordo com o promotor de justiça do TJ do DF, Thiago André Pierobom de Ávila, são mais comuns no país os casos enquadrados no artigo 20 da legislação, que consiste em "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

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O crime de racismo é inafiançável e imprescritível, conforme o Artigo 5º da Constituição Federal.

O caso do vídeo de William Waack fazendo comentários racistas, fora do ar, que vazou nas redes sociais, está enquadrado no Artigo 20 da legislação. Como seria justo de se esperar, a Rede Globo tomou providências instantâneas, para que o episódio não respingasse na emissora.

O que pode ser discutido é se Waack deve ficar sem trabalhar, ou se é possível que uma retratação o habilite a voltar, após suspensão que já está cumprindo.

Seu sarcasmo pode atingir os amigos e até a si próprio, como aconteceu num episódio que presenciei na TV Cultura. Perguntei a ele, ao fim de seu primeiro telejornal como âncora, como julgava ter saído. Abrindo o paletó, ele mostrou a mancha redonda de suor, sob os braços, dizendo: "Quando o diâmetro do meu círculo de suor estiver reduzido à metade, serei um âncora de telejornal".

A meu ver, mais do que um deplorável problema de racismo, ele foi fiel ao seu estilo cáustico: perde o emprego, mas não perde a piada de mau gosto. Poderia ter nova oportunidade.

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Roberto Muylaert, colunista do DIA Divulgação

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