Endividamento pós festas

Por Jorge Braz Presidente do Procon Carioca

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A febre do consumismo de fim de ano passou. Mas o endividamento para muitos está recomeçando. Os feirões Limpa Nome, que costumam anteceder as comemorações, trouxeram para muita gente a sensação de uma virada na vida financeira, de consciência tranquila. Mas a velha cultura de pôr o chapéu onde a mão não alcança acaba trazendo novas dívidas e até maiores num curto espaço de tempo. Compra-se com o coração, muitas vezes em benefício de filhos, netos e outros entes queridos. A publicidade, recheada de mensagens que levam a pensar que "ter" traz poder e a felicidade que tanto se busca, contribui para que muitos embarquem numa canoa furada em que o dinheiro foge do controle das famílias. O barco fica à deriva e o prazer de adquirir dura pouco.

Sei da importância de se movimentar a economia e o consumo é necessário para o crescimento das empresas e do país. Mas o que se vê é uma falta de controle total, uma sede cega por consumo que tem origem num vazio existencial. Como se "ter" fosse mais importante do que "ser". E o resultado disso são famílias arruinadas pelo endividamento. Muitas delas se esquecem de que, depois das festas de fim de ano, vêm gastos com matrícula, material escolar, IPVA, IPTU e outros que surgem nesse período.

O percentual de famílias brasileiras endividadas chegou a 62,2% em novembro de 2017. Este foi o quinto mês seguido de altas nesse indicador, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O dinheiro de plástico é o grande vilão. O cartão de crédito é a principal forma de endividamento para 76,9% das famílias que têm dívidas. É a doce ilusão de não ver o dinheiro ir embora.

Planejar é preciso e saber adiar a satisfação é fundamental para a boa sobrevivência. O contentamento, a habilidade para viver com o que se tem e a capacidade de se manter firme em todos os pontos em que a roda gigante da vida nos leva pode nos fazer pessoas mais felizes. Com muito ou com pouco.

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Jorge Braz, colunista do DIA Divulgação

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