LUTO NA LITERATURA BRASILEIRA

Por O Dia

Escritor morreu aos 91 anos
Escritor morreu aos 91 anos - Divulgação/ABL

A literatua brasileira está em luto. Faleceu aos 91 anos, na noite de sexta-feira, o acadêmico, escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. O romancista estava internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, desde 26 de dezembro de 2017, por conta de uma crise abdominal. Ele chegou a passar por cirurgia, mas morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos, informou a Academia Brasileira de Letras (ABL). O velório foi reservado a familiares e amigos, e corpo será cremado na próxima terça, no Memorial do Carmo, no Caju.

Nascido em 1926, na Zona Norte do Rio, Cony era casado com Beatriz Lajtam e tinha três filhos: Regina, Verônica e André. Era membro da ABL desde 2000 e foi responsável por icônicas obras, entre elas 'O Ato e o Fato', crônica de 1964 em que denuncia a ditadura militar; 'Pessach: A Travessia', de 1967, na qual também discutia os anos de chumbo; e 'Quase Memória', escrita em 1995.

Presidente da Academia, Marco Lucchesi determinou o luto de três dias. "Cony integra a família dos grandes escritores do século XX. Homem de vasta cultura, jamais se desligou do presente, do Brasil e do mundo", recordou Lucchesi.

O literato acumulou feitos e ganhou o Prêmio Manuel Antônio de Almeida com os romances 'A Verdade de Cada Dia', em 1957; e 'Tijolo de Segurança', em 1958, entre tantos outros.

A carreira de jornalista, ele nunca abandonou: em 1952, entrou no Jornal do Brasil. Nos últimos anos, era colunista da 'Folha de São Paulo' e participava de programa diário na Rádio CBN. Passou pelo Correio da Manhã, revista Manchete e chegou a ser diretor de teledramaturgia da Rede Manchete.

"Amigo leal"

A lealdade era a maior qualidade do amigo Cony, ressaltou o acadêmico Arnaldo Niskier: "Quando era amigo, era para a vida toda". Foi Niskier quem apresentou o jornalista a Adolpho Bloch e, assim, o levou à revista Manchete.

Ele também lembrou de uma história curiosa. "Estivemos no Vaticano, em 2005, visitando o Cardeal Dom Lucas Neves (da ABL), e Cony me contou que não aceitou convite dele para voltar para a igreja", contou Niskier, remetendo ao tempo em que, na juventude, o literato foi seminarista.

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