'O que foi afirmado vai ser comprovado', afirma Delcídio

Senador afirma que que fez 'uma colaboração de político, com agendas de viagens, datas, horários'

Por O Dia

O senador Delcídio Amaral disse nesta quarta-feira que na próxima semana retorna às suas atividades parlamentares no Congresso Nacional, após sua licença por motivo de saúde. Não faz ideia de como será recebido "É uma incógnita", afirmou.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Delcídio afirmou que sua rotina está "muito difícil". "Estou fazendo exames médicos, exames de controle de saúde. Eu estou terminando essa bateria de exames sob um momento de tensão muito forte".

Questionado se tinha provas do que afirmava em sua delação, o senador disse que pode comprovar os fatos com agendas, viagens e relatando com precisão os acontecimentos. "É como eu registro no meu dia a dia. Outras situações que já fazem parte dessa investigação (da Lava Jato) vêm comprovar tudo mesmo. Como toda agenda de político eu registro tudo, datas, horários", disse.

Senado eleito pelo PT%2C Delcídio do Amaral foi preso por tentar obstruir investigações relacionadas a Lava JatoAgência Brasil - 8.9.15

"Não tenho dúvida de que em função das agendas, dos indícios, o que foi afirmado vai ser comprovado. Aliás, em boa parte dos episódios mencionados já há comprovação até mesmo por outras colaborações. Sei que algumas coisas que relatei já foram confirmadas por executivos de uma empreiteira", explicou.

Perguntado se tinha medo de morrer, o senador disse que não. "Mas, evidentemente, a gente tem que tomar muito cuidado com a família. Eu tenho filha jovem, eu tenho muitas preocupações. Minha mãe vive no pantanal, vive numa fazenda. Eu, evidentemente, vou conversar com os meus advogados sobre isso", afirmou. "É um negócio complicadíssimo. Eu lhe confesso que estou muito preocupado. Já passei por situação muito parecida na CPI dos Correios, mas, agora, pela gravidade do momento é muito pior".

Sobre a possibilidade de o ex-presidente Lula ir para o ministério de Dilma, Delcídio classificou o movimento como "uma loucura". "Eu acho que ele vai acabar indo para tentar se blindar do (juiz Sérgio) Moro", disse.

Delcídio disse que se desligou do PT por ter sido abandonado pela legenda quando fui preso. "Inacreditável o que o partido fez comigo. Aquilo me prejudicou numa intensidade inacreditável. Não havia mais condição de ficar no PT com a homologação (da delação premiada).

Sobre as denúncias que o atingem, o senador disse que "não existe nenhuma acusação que fica de pé contra mim". "Nada que ficou caracterizado como um caso de corrupção na minha conduta. No meu caso, eu sou praticamente uma testemunha".

Ao comentar a declaração feita ontem pelo ministro Aloizio Mercadante (Educação), de que tudo o que sugeriu no telefonema gravado entre ele e o assessor de Delcídio foi dentro da legalidade, o senador comentou: "Não tenho intimidade com ele, como é que fala da minha filha em entrevista? Ele não pode negar aquilo que está na gravação.

'Não dá pra acreditar em solidariedade de Mercadante', diz assessor de Delcídio

José Eduardo Marzagão, assessor do senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) que gravou conversa com o ministro Aloizio Mercadante (Educação) incluída na delação premiada do parlamentar na Operação Lava Jato, disse nesta quarta-feira, 16, em entrevista à rádio Estadão que "não tem como acreditar em papo de solidariedade".

Após a divulgação do teor das conversas, ocorridas em dezembro, quando o ex-líder do governo Dilma Rousseff estava preso, Mercadante alegou que procurou Marzagão por iniciativa "pessoal" para dar apoio ao ex-colega de bancada no Senado. "Não é novidade para ninguém que eles não têm boa relação, eram desafetos", afirmou o assessor.

Para Marzagão, Mercadante o procurou como se estivesse em uma "missão" envolvendo o governo - o Palácio do Planalto negou envolvimento com o caso em nota emitida ontem.

"Não vejo outra maneira de entender isso. Uma pessoa que é conhecida por todos em Brasília como intransigente, arrogante, além de desafeto do senador Delcídio, me chamar no gabinete de ministro de Estado, sendo uma pessoa de confiança da presidente, não tem como acreditar em papo de solidariedade", disse o assessor do parlamentar. "Ele estava exercendo missão. É o que eu posso deduzir."

O assessor rebateu Mercadante ao negar ter "conduzido" a conversa, como se houvesse premeditação para comprometer o ministro da Educação. "É só pegar a transcrição e o áudio da conversa. Dos 100%, eu falo 10%. Não induzi absolutamente nada", afirmou Marzagão.

"Ele falou comigo porque eu conheço a secretária dele desde a CPMI dos Correios (que investigou o escândalo do mensalão, em 2005)", contou. "Desde essa época ele (Mercadante) tinha problemas de relacionamento com o senador Delcídio, que era o presidente da CPMI."

Marzagão considera que a delação de Delcídio, homologada na segunda-feira, 14, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, pode ser um "catalizador" para um desfecho da atual crise política do País. "Ele sedimenta essa situação que já estava posta. Por outro lado, abrevia qualquer solução que tivesse que ser tomada", disse.

O assessor, que trabalha com Delcídio desde 2004 e disse não ser filiado a nenhum partido, admitiu ter receio por sua segurança. "As coisas no Brasil estão de uma forma que a gente tem que procurar se resguardar além do normal. Confesso que eu fico um pouco temeroso."

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