Deputado do PT anuncia ação do governo para garantir segurança de Teori Zavascki

Ministro do STF e sua família foram vítimas de intimidações após a decisão do magistrado de transferir para a Corte os processos que envolvem o ex-presidente Lula

Por O Dia

Brasília - O vice-líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), anunciou nesta quarta-feira, uma ação conjunta do Ministério da Justiça e da segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar ameaças feitas contra o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Tribunal.

Teori e sua família foram vítimas de intimidações após a decisão do ministro de transferir para a Corte os processos que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na fachada do edifício, foram penduradas faixas com os dizeres “Teori traidor”, “Pelego do PT” e “Deixa o Moro trabalhar”. Uma enxurrada de críticas e ofensas ao ministro também tomaram conta das redes sociais. Sob o mote #OcupaSTF, o cantor Lobão, defensor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, chegou a divulgar em sua conta do Twitter o endereço do filho de Teori, que mora na capital gaúcha.

Em entrevista na manhã desta quarta, Pimenta falou que foi solicitada a abertura de inquérito para apurar ações nas redes sociais e apontar os autores das ameaças. O petista revelou que endereços de Teori em Porto Alegre (RS) e de seus familiares foram divulgados para que manifestantes agissem para intimidar o ministro. "Isso é crime de incitação ao ódio", concluiu.

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O deputado disse que é preciso adotar medidas para garantir a integridade do ministro, que teria inclusive sofrido ameaças de morte. "Não podemos permitir essa escalada fascista", declarou.

Oposição

Pimenta criticou a aproximação entre o vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Para o petista, Temer e Aécio devem ser tratados como "artífices desse processo golpista" e, em tom de ironia, disse que as conversas visam a encontrar "a melhor forma de rasgar a Constituição". "É uma conversa de duas pessoas que sabem que, pelas urnas, jamais chegariam à Presidência da República", declarou Pimenta.

Mais cedo, líderes de partidos da oposição na Câmara anunciaram que entraram com três representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo que o órgão investigue a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Edinho Silva (Comunicação Social) e Jaques Wagner (chefe de gabinete da Presidência), com base nos grampos de conversas telefônicas entre eles divulgados com autorização da Justiça na semana passada. Pimenta disse que a oposição busca apenas aumentar a tensão e criar um clima de "caos político e econômico". "É um ato de desespero da oposição", comentou o petista.

Líderes de oposição anunciaram nesta manhã o protocolo de um requerimento de convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos no plenário da Câmara sobre o envio de telegramas a todas as embaixadas e representações do Brasil no exterior recomendando a difusão de mensagens de entidades alertando para o risco de um golpe político no Brasil. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

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