Coluna Esplanada: O triunvirato

Lula, Berzoini e Jaques Wagner trabalham 24 horas para salvar a presidente Dilma do impeachment

Por O Dia

Brasília - Enquanto a oposição e parte da base incendeiam Brasília festejando eventual e iminente governo de Michel Temer, Lula e os ministros Ricardo Berzoini (Governo) e Jaques Wagner (Gabinete) trabalham 24 horas para compor 200 votos para salvar a presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara e enterrar o processo de impeachment. Deve-se a Lula o retorno de 22 votos do PRB para a petista. Estão confiantes de que ela fica.

Trocou a besta

Voltou a circular no Congresso o pai de santo Uzêda. Em 2015, ele foi alertar Dilma sobre Eduardo Cunha e foi expulso do Palácio: “A besta agora é a Dilma”, diz Uzêda.

Chororô

Mas o clima de ‘governo acabou’ ronda a Praça dos Três Poderes. Até deputados do PT entregam os pontos, veladamente.

A conta

O senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista, sofre pressão de metade do partido para pular da base governista. Ele tem 49 votos na Câmara, mas só 27 a favor de Dilma.

Contragolpe

O ex-ministro Gilberto Carvalho, conselheiro de Lula, dedica 13 horas por dia a contatos com líderes de movimentos sociais para uma trégua.

Trégua

Na reunião de um mês atrás, em São Paulo, Lula conseguiu trégua com as alas radicais do MST, sem-teto e CUT. Pararam de invadir prédios e bloquear estradas.

Fala, baiano

Duda Mendonça, marqueteiro das duas campanhas vitoriosas de Lula, diz que apoia o juiz Sérgio Moro e a Lava Jato. O marqueteiro de Dilma, João Santana, está preso.

QUEM TE VIU... Há nove anos, o ministro Gilmar Mendes, do STF, taxou de “canalhice” e “fascista” o vazamento de escutas da PF. Descobriu-se que ele ganhava brindes de empresa que comandava esquema de fraudes em licitações. Hoje, Mendes apoia o grampo em Lula.

Será por quê?

A Frente Parlamentar de Combate à Corrupção anda desmobilizada. Apenas cinco — dos 226 deputados e 14 senadores que integram o grupo — compareceram à última reunião.

Sangue jorrando

Alvo da Lava Jato, a agência de publicidade Arcos tem uma conta de R$ 10 milhões com a Hemobrás, estatal também alvo de outra operação da PF, batizada de Pulso.

Destemido

Sérgio Moro deu prova à equipe de que não está apegado ao processo e a holofotes. Dá de ombros para ataques de advogados e diz que a Lava Jato anda com ou sem ele.

Calma, gente

Tem gente perdendo a noção de respeito. Movimentos pró-impeachment descobriram o endereço do filho do ministro Teori Zavascki em Porto Alegre, e marcam protestos.

‘Vengeance’

Deputado Paulo Pimenta (PT) constrangeu repórter de TV francês, indagado se o PT deve pedir desculpas: “Os franceses deveriam pedir desculpa pelos crimes na Argélia?”

Patrulheiro

A delação da ex-sócia da primeira-dama do Estado de Minas na Agência Pepper vai pegar em cheio um jornalista partidário que patrulhava colegas nas redes sociais.

Solos

Presidente da comissão do impeachment, o deputado Rosso (PSD-DF), quando não está no gabinete lotado, está em casa dedilhando solos de guitarra.

Que saudade

Expoente dos anos em que o grande escândalo no governo era a compra de uma tapioca de R$ 8 no cartão corporativo, o ex-ministro do Esporte e agora deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) distribui no Congresso adesivos com a frase ‘Não vai ter golpe’.

O Barão

Chamado antes de Príncipe pelos investigadores da Lava Jato, Marcelo Odebrecht agora é citado como Barão. Era seu apelido na lista da propina aos políticos.

Coluna de Leandro Mazzini

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