Governo teme derrota expressiva em comissão e isolamento político de Dilma

Avaliação é que diferença grande de votos enfraqueceria a presidente para a votação em plenário no domingo

Por O Dia

Brasília - Nos últimos momentos antes da votação do parecer pela admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Comissão Especial nesta segunda-feira, a base governista se concentrou em buscar votos para evitar uma derrota expressiva. A avaliação é a de que, se isso ocorrer, poderá ampliar a percepção de fraqueza e de isolamento político da presidente.

Na outra ponta, a oposição avalia que uma boa vitória na comissão, aliada aos eventos da semana passada decorrentes da Operação Lava Jato, lhe dará fôlego na semana decisiva. De acordo com o Placar do Impeachment, do jornal O Estado de S. Paulo, ao menos 35 dos 65 deputados da comissão se declaram favoráveis ao impedimento. É necessária maioria simples.

Para a oposição, o momento é favorável ao impeachment e o placar na comissão vai variar de 35 a 39 votos pelo afastamento. Já aliados da presidente afirmam que, se houver derrota na comissão, será por uma margem de, no máximo, dois votos. O Planalto busca, ao menos, 30 votos favoráveis.

Presidente quer reduzir margem de derrota em comissão para se fortalecer para decisão definitivaAntonio Cruz/Agência Brasil - 31.03.16

"Será um placar apertado", previu o vice-líder do governo, deputado Paulo Teixeira (PT-SP). "Vai ser por um placar apertado, mas vamos perder ganhando", disse outro vice-líder do governo, Silvio Costa (PTdoB-PE). O governo começou a semana com pequenas vitórias que, avaliam, ajudarão a obter uma margem mais apertada de votos.

O presidente da Comissão Especial, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), decidiu que não haverá chamada nominal, o que faz com que os votantes se manifestem apenas por meio do painel eletrônico. A oposição avaliava que a votação nominal pressionaria, sob os holofotes da oposição, os deputados a se posicionar contra o governo.

Após conversa com o advogado-geral da União, ministro José Eduardo Cardozo, que ligou para confirmar presença na sessão, Rosso – que tendia a acatar o pedido da oposição para chamada um a um – consultou o regimento e concluiu que a solicitação só poderia ser acatada se o painel estivesse indisponível.

A expectativa da oposição e do governo é de que o impeachment comece a ser votado em plenário na sexta-feira. A votação deverá terminar no domingo. São necessários 342 votos dos 513 deputados para o impeachment ser aprovado. 

Ausências

Além disso, foi antecipada a estratégia do governo sobre os ausentes. Se a oposição trabalha para convencer os deputados a votar "sim" ao impeachment, aliados do Planalto orientam colegas a não comparecer à sessão, se abster ou votar "não". Na comissão, o deputado Washington Reis (PMDB-RJ) – um dos oito indecisos do grupo û faltará porque está internado com a gripe H1N1.

Washington Reis (PMDB-RJ)%2C internado com H1N1%2C não votará. Indicação de suplente gera disputaAlexandra Martins/ Câmara dos Deputados - 09.05.2012

Reis disse à reportagem que em seu lugar votará Marx Beltrão (PMDB-AL), aliado do governo. A ausência dele foi um dos temas da reunião da oposição, que tentará garantir o voto de um suplente pró-impeachment. "A gente vai ter de correr para ver o suplente", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Rosso decidiu que só votará o suplente do bloco que registrar presença primeiro.

Integrante da comissão, Valtenir Pereira (PMDB-MT) se declarava até o último domingo como "indefinido". "Há uma forçação de barra no relatório e no pedido de impeachment." Ele disse que não faltará à sessão e, se não decidir até a hora da votação, optará por se abster e tomar uma posição só em plenário.

Entre os oposicionistas, o cenário político da semana é visto com otimismo. "Estamos em ascensão", disse o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA). A divulgação de trechos da delação do ex-executivo da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo foi um dos fatores que teriam ajudado a convencer parlamentares indecisos a defender o afastamento.

O parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendando a anulação da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil também contribuiu. "Estamos muito animados", afirmou o deputado Mendonça Filho (DEM-PE).

Últimas de Brasil