Políticos pró e contra o impeachment passaram o sábado procurando votos

Governo começou a conquistar votos de deputados que antes haviam anunciado apoio ao impedimento da presidente.

Por O Dia

Rio - Há dois dias, a guerra a favor e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff parecia decidida. A oposição comemorava a enxurrada de adesões, enquanto os governistas se mostravam desanimados. As contas pareciam mostrar que Dilma seria apeada do poder. Nas últimas horas, porém, tudo mudou e os dois lados chegam ao dia decisivo com esperança de vitória.

Na noite de sexta-feira, o governo começou a conquistar votos de deputados que antes haviam anunciado apoio ao impedimento da presidente. O fenômeno obrigou Temer, que pretendia passar o sábado em São Paulo, a voltar para Brasília, onde gastou o dia de ontem buscando possíveis apoiadores, no Palácio do Jaburu.

Ex-presidente Lula esteve ontem em ato com movimentos sociaisAgência Brasil

O próprio deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator da comissão especial do impeachment, reconheceu que houve um deslize. “O erro foi ele (Temer) ter ido (para São Paulo) [ A SÃO PAULO]. Devia ter ficado aqui direto. Mas voltou para ficar perto do centro de decisão”[/ A SÃO PAULO].

Um dos primeiros a mudar de ideia a favor do governo foi Waldir Maranhão (PP-MA), vice-presidente da Câmara e tradicional aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Pela democracia, sou contra o impeachment”, declarou ele. Maranhão diz que terá do seu lado outros 11 deputados do PP.

Outra que deverá favorecer a presidente é a deputada Clarissa Garotinho, que está grávida e possivelmente não comparecerá à votação (as ausências e abstenções diminuem a possibilidade da oposição conseguir o apoio necessário ao impeachment). Outro problema da mesma natureza para os oposicionistas é o nascente movimento ‘Nem Cunha Nem Dilma’, tocado por PSB, Rede e PSD, que defende abstenção e poderia valer até 30 votos.

Em sua contra-ofensiva, porém, Temer colheu bons resultados. Teria revertido os votos de pelo menos três peemedebistas que desistiram de votar contra o impeachment (Mauro Lopes, de Minas; Fábio Reis, de Sergipe, e João Arruda, do Paraná).

O vice-presidente Michel Temer se manteve no Palácio do JaburuAgência Brasil

Pelo lado dos governistas, Lula foi quem liderou as negociações, em seu apartamento no hotel Royal Tulip, em São Paulo. Ontem, manifestantes pró-impeachment foram para a frente do hotel protestar e houve confusão. Ao voltar ao local, vindo do ato que participou com movimentos sociais, Lula e sua comitiva tiveram os carros cercados. Uma das pessoas que estavam num dos automóveis que seguiam o ex-presidente partiu para agressão e deu um soco em um manifestante. No mesmo local, em outro momento, um homem de cassetete agrediu pessoas que se manifestavam contra o impeachment.

RESPOSTA DE TEMER

Acusado pela presidente Dilma Rousseff em vídeo distribuído sexta-feira nas redes sociais de querer “revogar direitos como o Bolsa Família”, o vice-presidente resolveu responder de forma dura. Também pelas redes sociais, Temer disse que isso é falso e classificou a afirmação de “mentira rasteira”.

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