Temer já sofre com as brigas pelo poder

Aécio teme que futuro governo pareça com gestões de Dilma e Lula. Vice escolheu PP para comandar Saúde

Por O Dia

Rio - Às vésperas de assumir a Presidência da República, só aumenta o sofrimento do vice Michel Temer para montar seu goveno sob um turbilhão de disputas internas. Nesta terça-feira, o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, afirmou que “os tucanos temem que a gestão Temer fique parecida” com os mandatos petistas de Lula e Dilma. 

A declaração do senador foi dada minutos antes de ele encontrar o vice-presidente para um almoço em Brasília. Na reunião, Aécio entregou uma carta de princípios, com temas impostos pelo PSDB como condições para integrar o governo.

“Nós realmente nos preocupamos com as notícias que já são públicas, a forma pela qual o governo já vem sendo constituído. Temos receio de que esse governo (de Michel Temer) se pareça muito com aquele que está terminando os seus dias”, afirmou Aécio.

O cirurgião Raul Cutait passou à frente dos parlamentares do PP na corrida pelo Ministério da SaúdeDivulgação

O PSDB deve ocupar dois ministérios — o das Relações Exteriores, com o senador paulista José Serra, e o das Cidades, com o deputado Bruno Araújo (PE), responsável pelo voto de número 432, que definiu a aprovação do impeachment na Câmara. A escolha de Araújo não foi tranquila nem mesmo no PSDB. Os tucanos paulistas preferiam a deputada Mara Gabrilli (SP).

SAÚDE

Na manhã de ontem, o grupo de Temer fechou o nome para o Ministério da Saúde. Será o cirurgião plástico paulista Raul Cutait. Ele pertence à cota do Partido Progressita, PP. O médico chegou a recusar o convite. Alegou que a família era contra. O presidente da legenda, Ciro Nogueira, contornou a situação doméstica, mas teve que se desdobrar para acalmar os ânimos da legenda. Alguns deputados defendiam um parlamentar para o posto.

Cutait é professor de Cirurgia da Universidade de São Paulo e trabalha no Hospital Sírio-Libanês, um dos mais importantes do país. Ele é proprietário também de uma clínica, da qual terá que se afastar caso venha realmente a comandar o Ministério da Saúde.

FAZENDA

O PP deve ficar ainda com a indicação para o cargo de ministro da Agricultura. O nome pode ser de um parlamentar ou de um “notável” do agronegócio, de preferência apadrinhado pelo partido. “Michel Temer vai aguardar o PP”, afirmou um interlocutor de Temer.

As brigas chegaram à futura equipe econômica. O já escolhido ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reclamou que “muita gente” próxima a Temer está falando sobre economia e que medidas estão sendo anunciadas antes da hora. 

PSB também reclama

Em reunião com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), o PSB acertou ontem que ficará com o Ministro da Integração Nacional. O líder socialista na Câmara, deputado Fernando Bezerra Filho (PE), é o mais cotado para o cargo. Ele é filho do senador Fernando Bezerra (PSB-PE), que ocupou a pasta no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Após a reunião com Temer, Bezerra foi à Câmara para confirmar o apoio da bancada ao seu nome. Dos 31 deputados do PSB, 26 são favoráveis à participação do partido no futuro governo. Desses, praticamente todos já avalizaram o nome de Bezerra.

A deputada Tereza Cristina (PSB-MS) questionou a indicação. Ela queria ser indicada pelo partido para ocupar o Ministério da Agricultura. Michel Temer, no entanto, avisou ao PSB que a Agricultura ficará com o Partido Progressista (PP).


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