Esplanada: Ação desastrada da prisão de Mantega revela fadiga da Lava Jato

Há desencontros de informações, o que dá combustível para os críticos da operação

Por O Dia

Rio - A desastrada operação de prisão de Guido Mantega dá sinais de fadiga da Operação Lava Jato – e combustível para seus críticos. De fato. Há desencontros de informações, faltam as provas de Eike Batista – a força-tarefa deu como verdade apenas sua palavra – e a situação de saúde da esposa do ex-ministro mostra que a PF não monitorou o alvo para evitar o constrangimento, a ponto de o próprio juiz Sergio Moro recuar da detenção.

Os procuradores da Lava Jato também não explicaram por que a prisão só saiu ontem, se desde junho já havia determinação, após o depoimento de Eike.

Tá bom..

Um dos chefes da Lava Jato disse que a prisão demorou por causa do contingente da PF cedido para a Olimpíada. Balela. Meia dúzia de agentes, como ontem, fariam o serviço.

Expertinho

Eike Batista está enrolado até o pescoço com as suspeitas das negociatas. Ao se antecipar e dar depoimento voluntário, colabora e escapou da prisão. Por ora.

Expertinho 2

A cautela da força-tarefa sobre o empresário, a proteção a ele, e o crédito dado a Eike conota que ele entrou em delação premiada e colabora sigilosamente.

No mais..

.. ao prender Mantega na Operação Arquivo X, sem que ofereça risco à investigação, a Lava Jato se esqueceu da máxima do seriado homônimo: a verdade está lá fora.

Madame encrenca

Circula pelo WhatsApp um áudio em que Márcia Fruet, esposa do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), solta o verbo após ver o marido atrás nas pesquisas. “Vamos ganhar essa bagaça nem que seja honestamente”. Em 2010, empolgada também, Dilma Rousseff disse que na eleição ‘vamos fazer o diabo’ para ganhar. Deu no que deu.

Dupla do barulho

O ISERJ no Rio pega fogo amanhã, com a presença confirmada de Dilma e Lula da Silva, no XI Seminário Internacional de Luta contra o Neoliberalismo. Será desagravo aos ex-presidentes. E Sérgio Moro e a PF vão ouvir desaforos pelo caso de Mantega. 

Fé no Poder

A Igreja há décadas autoriza padres licenciados a exercerem política. Muitos foram ou ainda são prefeitos, vereadores. Há dois padres deputados federais, o Pe. João (PT-MG), e o Pe. Luiz Couto (PT-PB). No mandato passado ainda havia o Padre Zé (PT-CE).

Peleja antiga

Ao interditar e ameaçar expulsar um padre candidato a vereador em Visconde do Rio Branco (MG), a Cúria mostra que o problema é a tradicional peleja com o PCdoB.

Trabalho, nada..

Os professores da UnB ligados a sindicatos da esquerda, que paralisaram atividades há meses exigindo a volta de Dilma ao Poder, indicaram nova greve a partir de hoje.

Lula em xeque

Partidos alinhados ao presidente Michel Temer e da oposição deram início a pesquisas para avaliar o impacto da denúncia contra Lula. Dentro ou fora do páreo, o petista é balizador da indicação de candidatos e planejamentos de campanhas para 2018.

Planos

O PT trabalha com dois planos para 2018 se Lula ficar inelegível. No A, lança Jaques Wagner – se não se enrolar na Lava Jato. No B, abre mão da cabeça de chapa por Ciro Gomes (PDT) e indica o vice.

Pela vida

Dia 25 de setembro o Parque da Cidade em Brasília recebe a caminhada da prevenção ao suicídio, encerrando o setembro amarelo

R.S.V.P.

A situação (ou o ego) cresceu tanto na Operação Lava Jato que já há Cerimonial para as coletivas de imprensa.

Ponto Final

“Impossível não relacionar tanta perseguição ao fato de Lula ser o grande favorito às eleições presidenciais de 2018”

Da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), após Lula virar réu na Lava Jato.

Bafafá regional
A coligação Unidos por São João da Barra, encabeçada pelo prefeito José Amaro de Souza, o Neco (PMDB), entrou com ação judicial (protocolo 216.541/2016) no TRE/RJ pedindo a impugnação de divulgação de uma pesquisa eleitoral que está sendo realizada no município do Norte Fluminense. A ação pede encaminhamento à Delegacia de Polícia Federal por conta de indícios de fraude que para favorecer a candidata do Partido Progressista, Carla Machado. Às alegações da acusação foram anexadas imagens de entrevistas supostamente suspeitas. No governo do Estado do Rio, PMDB e PP são aliados.

Coluna de Leandro Mazzini