Procuradora-geral afirma que Palocci recebeu R$ 128 milhões

Valores estão na planilha da Odebrecht apreendida pela Lava Jato

Por O Dia

São Paulo - A procuradora-geral da República Laura Gonçalves Tessler afirmou que o montante já documentado de valores repassados ao ex-ministro Antonio Palocci totaliza R$ 128 milhões, conforme planilha do Grupo Odebrecht apreendida pela força-tarefa da Operação Lava Jato.

Além disso, existe um saldo de R$ 70 milhões presente na planilha em valores que ainda estão sob investigação para se identificar se já foram repassados e quem teria recebido tais valores, disse Laura. "Palocci atuava como gestor da conta desde 2006 até, pelo menos, novembro de 2013, comprovadamente com pagamentos documentados nessa planilha", sintetizou a procuradora.

Ela acrescentou que, nos anos de 2014 e 2015, após a deflagração da Operação Lava Jato, foram identificados e-mails, com mensagens criptografadas, que se referem a encontros entre Palocci e o presidente da construtora, Marcelo Odebrecht. "Isso indica que continuavam as atividade ilícitas, já que para meras reuniões banais não precisariam de mensagens criptografadas", apontou.

Ela acrescentou que os valores repassados ocorreram tanto em período eleitoral, quanto fora dele, o que também levanta a suspeita de que se tratam de propina, já que "não havia campanha (política em andamento) que subsidiasse a realização dos pagamentos".

Laura observou que, ao todo, foram identificadas mais de 30 reuniões entre Palocci e os membros do alto escalão da construtora, muitos deles realizadas na própria residência do ex-ministro, o que denota, segundo a procuradora, que havia interesse de que os encontros tivessem caráter sigiloso.

Papel maior do que o de Dirceu a partir de 2008

O delegado da Polícia Federal, Filipe Hille Pace, da força tarefa da Lava Jato, disse que, a partir de 2008, quando constam os primeiros pagamentos da planilha nomeada "italiano", que se refere ao ex-ministro Antonio Palocci, segundo a PF, "é razoável concluir que Palocci tenha papel maior que Dirceu" no esquema de propinas. As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa sobre a 35ª fase da operação Lava Jato, nomeada Omertà.

Segundo a investigação, Palocci pode ter assumido um papel maior do que o de José Dirceu no esquema de propinas a partir de 2008Antonio Cruz / Agência Brasil

A procuradora da República, Laura Tesler, complementou que a investigação é bastante dinâmica e que não dá para dizer que já se chegou ao topo do esquema de propinas na Petrobras. "A cada dia temos mais informações, certamente outros personagens vão aparecer, é muito cedo para dizer que chegamos aos maiores chefes do esquema", afirmou.

Sobre os desdobramentos da operação, o delegado comentou que Palocci já é investigado em processos específicos e que, no momento, o foco é a relação do ex-ministro com a Odebrecht. "A dimensão dos fatos criminosos entre Palocci e Odebrecht é o nosso foco no momento", disse o delegado. O delegado ainda lembrou que as interferências não se resumem à Petrobras. "Desvendou-se hoje uma atuação bem forte e duradoura do Palocci em interferências na Petrobras e em outras esferas da administração pública federal."

Pace ainda afirmou que a empresa do ex-assessor de Palocci, Juscelino Dourado, pode ter sido usada para pagamentos ilícitos. "A empresa existia apenas no papel." Segundo o delegado, o endereço da empresa era o mesmo da residência de Dourado e, analisando as transações bancárias, observou-se recebimento de valores do pecuarista José Carlos Bumlai e do ex-presidente da Odebrecht, antes de Marcelo Odebrecht, Pedro Novis.

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