Cada vez mais impopular, Temer prepara 'pacote do bem'

Ideia é salvar o presidente da crise de imagem com delações da Odebrecht

Por O Dia

Brasília - Com a popularidade em queda livre — 51% consideram seu governo ruim ou péssimo, contra 31% em julho, segundo pesquisa divulgada pelo DataFolha —, o presidente Michel Temer convocou uma reunião de emergência no Palácio do Jaburu neste domingo. O encontro acontece logo após a divulgação das delações de ex-executivos da Odebrecht para a força-tarefa da Operação Lava Jato que o acusam de receber propinas da empreiteira. Temer chamou Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, e Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos. Ambos também são citados nas delações.

O presidente foi citado 43 vezes em depoimento de ex-diretor da Odebrecht sobre esquema de propinaAntônio Cruz/Agência Brasil

Para tentar neutralizar a crise de imagem, Temer estuda lançar medidas para a retomada da economia ainda este ano. Na sexta-feira à noite, depois do vazamento da delação do ex-diretor de Relações Institucionais Cláudio Melo Filho, na qual foi citado 43 vezes, Temer foi para São Paulo. Ele retornou a Brasília por volta da hora do almoço de domingo. À noite, iria encontrar Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara.

Votações importantes estão previstas para os próximos dias no Congresso. Entre elas está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que estabelece um teto de gastos públicos e está em discussão no Senado; a reforma da Previdência (PEC 247), enviada ao Congresso na semana passada, e a aprovação do orçamento de 2017. A expectativa é que todos esses debates avancem no Congresso antes do recesso parlamentar, com início em 23 de dezembro.

Segundo pesquisa Datafolha, 34% consideram a atual gestão regular e 10%, boa ou ótima. Em julho, quando ainda era interino no cargo, Temer era avaliado como regular por 42% e como ótimo ou bom por 14% dos entrevistados pelo instituto. Em julho, 30% achavam que a situação econômica do país iria piorar — hoje são 41%.

Já os que achavam que iria melhorar eram 38% e são 28% agora. A pesquisa mostrou também que 63% dos entrevistados querem a renúncia de Temer ainda este ano para que haja eleição direta. Para isso, ele teria que deixar o cargo até o dia 31.

DOCUMENTO DEVE IR PARA O STF

Procurador manda investigar vazamento de delação

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, declarou ontem que vai solicitar a abertura de investigação para apurar o vazamento para a imprensa de documento sigiloso que seria relativo à delação premiada de um dos executivos da Odebrecht.
“O vazamento do documento que constituiria objeto de colaboração, além de ilegal, não auxilia os trabalhos sérios que são desenvolvidos e é causa de grave preocupação para o Ministério Público Federal, que segue com a determinação de apurar todos os fatos com responsabilidade e profissionalismo”, diz nota do Ministério Público Federal (MPF), divulgada na noite de sábado.

Na nota, o MPF voltou a expressar que todo documento de colaboração, para que possa ser usado como prova e para que tenha cláusulas produzindo efeitos jurídicos para o colaborador, somente possui validade jurídica após homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde sexta-feira, foram publicadas diversas reportagens com informações atribuídas ao depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, que firmou acordo de delação premiada. Melo seria o responsável pelo relacionamento da empresa com o Congresso Nacional.

De acordo com as reportagens, ele teria citado nomes de 51 políticos de 11 partidos que teriam recebido propina da empresa, entre eles o presidente, Padilha, o ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá, e o ex-secretário de Governo, Geddel Vieira Lima. Todos negam as acusações.

Em nota na sexta-feira, o Palácio Planalto repudiou as acusações de que Temer teria solicitado valores ilícitos da empreiteira Odebrecht em meio à campanha à Presidência de 2014. “O presidente Michel Temer repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho. As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral]. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”, diz a nota.

Homem preso após atacar casa de Temer

Um homem foi detido, acusado de lançar objetos no portão da casa de Michel Temer em São Paulo no fim de semana, quando o presidente estava no local. A residência no Alto de Pinheiros — um dos mais bairros mais chiques da capital paulista — foi atacada por duas noites consecutivas.

Na madrugada de ontem, na segunda ação, o homem foi detido e levado à 14ª Delegacia de Polícia Civil, onde foi autuado por dano e perturbação em um boletim de ocorrência. Após assinar um termo circunstanciado, no qual se compromete a não repetir a atitude, o homem foi liberado. Na manhã de ontem, a perícia esteve na casa de Temer para averiguar danos ao portão que foi atingido. A segurança na frente da casa do presidente foi reforçada.

O Palácio do Planalto reagiu aos vazamentos com “preocupação” e sem “ingenuidade”. A ordem de Temer é evitar muitos comentários, reforçar que as delações precisam se comprovar e que o governo tem que “continuar trabalhando” pelo país. Interlocutores do presidente, entretanto, admitem que “os efeitos disso precisam ser observados” e que a Lava Jato sempre foi e continua sendo um fato “imponderável”.

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