Vice-prefeito de São Paulo teria orientado empresa para vencer licitação

De acordo com rádio, Bruno Covas se encontrou com representantes da Dream Factory e solicitado alterações na proposta para o carnaval

Por O Dia

São Paulo - A gestão do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), teria orientado a agência de eventos Dream Factory, contratada pela Ambev, para vencer a concorrência pelo patrocínio do carnaval, informa a rádio CBN. De acordo com a emissora, a empresa venceu o edital ainda no ano passado, mas em janeiro a Comissão Avaliadora da Secretaria de Cultura decidiu que a proposta da SRCOM, parceira da Heineken, era a melhor porque oferecia mais itens de interesse público.

De acordo com a CBN, no entanto, o áudio de uma reunião entre funcionários da Secretaria de Cultura e dois diretores da Dream Factory mostra que os representantes narram um encontro na Prefeitura, no dia 17 de fevereiro, em que o vice-prefeito Bruno Covas (PSDB) orienta os integrantes da Ambev e da Dream Factory a alterar os itens da planilha da proposta para justificar os R$ 15 milhões oferecidos inicialmente e, assim, vencer a concorrente, que ofereceu R$ 8,5 milhões.

Joao Doria Jr. e seu vice%2C Bruno Covas%2C acusado de ter orientado empresa para ganhar licitação no carnavalCesar Ogata/Secom/Prefeitura de São Paulo

Os secretários André Sturm (Cultura) e Anderson Pomini (Justiça) negaram que houve direcionamento e afirmaram que todo o processo cumpriu os itens do edital. A Ambev afirmou que o edital previa a redistribuição dos valores da proposta entre os itens e sustenta que não houve oferta de novo valor durante a concorrência. A Drem Factory afirmou que todas as mudanças no edital foram autorizadas pela comissão e que foram lícitas.

Prefeitura nega irregularidades

Em nota, a Prefeitura negou irregularidades na condução do edital de patrocínio do carnaval deste ano. A mensagem da Secretaria Especial de Comunicação confirma que houve contato com a empresa para melhorar a proposta. A Prefeitura alega, no entanto, que a intervenção era permitida pelo edital e foi feita para "benefício da população paulistana e do Carnaval". A administração atribui o ato a um esforço para que não fosse investido dinheiro público no evento e evitasse os gastos de R$ 10 milhões feitos no ano passado. A prefeitura também destacou que se tratava de um edital de chamamento público para patrocínio e não de uma licitação.

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