Por marlos.mendes
Conhecido por ser da tropa de choque do governo e também um ferrenho aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o peemedebista Carlos Marun disse ao assumir a Secretaria de Governo que será um soldado do Michel Temer e que o presidente é um exemplo que é possível fazer política com "honra e dignidade" "Serei e sou a partir deste momento um soldado sob o vosso comando", disse.
"Vejo o senhor determinado neste momento ímpar a fazer aquilo que o Brasil precisa. Hoje abro mão da minha reeleição para estar ao seu lado, que é a personificação da possibilidade de se fazer política com honra e dignidade", disse o agora ministro, durante cerimônia de posse no Salão Leste do Palácio do Planalto
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Deputado de primeiro mandato federal, Marun disse que durante os três anos de convivência no Parlamento conquistou a "confiança da base" e o "respeito da oposição" e disse que terá como "maior desafio" tentar ajudar o governo a aprovar a previdência. "Assumo essa função consciente disso", afirmou o ministro, ressaltando que é preciso de uma "previdência mais justa e menos desigual".
Reforçando o discurso de que a reforma visa combater privilégios, Marun disse que com a sua aprovação a economia vai melhorar ainda mais e com isso 2018 pode ser um "ano histórico" de "espetacular crescimento". "Que só é válido se trouxer felicidade ao povo brasileiro", completou.
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Marun disse ainda que aceitava o cargo por acreditar no governo Temer, agradeceu o seu antecessor Antonio Imbassahy e seus colegas de parlamento. O ministro disse ainda que o Congresso nacional decretou impeachment "de um governo que destruía o Brasil". "Tenho orgulho presidente, sob seu comando já fizemos muitas coisas", disse, ressaltando alguns dados da economia como juros e inflação em queda.
Demorei para entrar e para sair
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Pressionado para deixar o cargo, o ex-ministro da Secretaria de Governo, deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA), despediu-se na tarde desta sexta-feira, 15, em discurso no Palácio do Planalto, em Brasília, durante cerimônia de posse do sucessor, o também deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
O tucano disse que o governo conseguiu aprovar tudo o que propôs durante seu período no Planalto e brincou que demorou a sair, assim como para ser nomeado, porque na Bahia "tudo acontece mais calmamente". "Demorei para entrar (no governo), e agora demorei para sair", disse. "Trabalhei com foco em manter a estabilidade política, os empregos e a renda das famílias. A articulação política é complexa por natureza e se acentua no pós-impeachment, com País em recessão profunda, dificuldades fiscais e fragmentação partidária."
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Imbassahy se disse compromissado a contribuir para o processo desafiador de transição. O ex-ministro afirmou que retomará seu mandato de deputado na Câmara. Imbassahy fez uma série de agradecimentos, disse que conquistou a amizade de Temer, e que o governo do peemedebista será lembrado pelos avanços conquistados na reconstrução nacional.
Imbassahy lembrou que entrou no governo por compromisso com as reformas do PSDB, que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Emocionado, ele disse ter feito o melhor trabalho possível e disse que pôs seu coração à prova "morando aqui no Palácio do Planalto e com direito a finais de semana no Jaburu".
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O ex-ministro se disse aliviado por sair do cargo com o coração em bom estado e que nem mesmo Michel Temer, "homem de bom coração", conseguiu ficar com a saúde imune em tal ritmo de trabalho e precisou colocar stents. "Em tempo de reformas, fez uma reforma cardíaca para continuar a todo vapor", disse Imbassahy.

A cerimônia de transmissão do cargo chegou a ser marcada e adiada duas vezes — na quinta-feira, por problemas de saúde do presidente, e no início do mês, por causa da crise do governo com o desembarque do PSDB.