Divergência provoca desmonte de conselho da CCEE

Empresa perde 3 conselheiros. Os pedidos de demissão ocorreram após a aprovação do empréstimo de R$ 11,2 bilhões às empresas elétricas

Por O Dia

Rio - A insatisfação com os rumos do modelo do setor elétrico brasileiro provocaram a renúncia de três conselheiros da Câmara Comercializadora de Energia Elétrica (CCEE), escolhida pelo governo para tomar junto a instituições financeiras os recursos necessários para socorrer as distribuidoras de energia. Em comunicado divulgado quarta-feira, a entidade informou que Luciano Freire, Paulo Born e Ricardo Lima pediram seus desligamentos do conselho de administração, um dia após a assembleia que aprovou a contratação do financiamento. O texto cita “questões pessoais” como justificativa, mas no setor comenta-se que os executivos estariam contrariados com a solução imposta pelo governo.

Segundo a CCEE, Luciano Freire estava no seu segundo mandato, tendo assumido o cargo em 2008. Paulo Born era membro do conselho desde 2012 e Ricardo Lima estava no posto desde 2011.Os três têm no currículo grandes empresas do setor. Após a renúncia, o conselho da entidade, que é responsável pela liquidação de contratos de compra e venda de energia, fica apenas com dois membros, Luiz Eduardo Barata, que ocupa a superintendência da CCEE, e Antônio Carlos Fraga Machado. No início de maio, uma assembleia geral extraordinária será convocada para escolher novos conselheiros.

Na assembleia de terça-feira a contratação do financiamento para socorrer as distribuidoras foi aprovada por 87% dos agentes do setor que compõem o quadro de associados da CCEE. Outros 12% preferiram se abster e 0,13% votaram contra. A entidade informou que a assembleia contou com 70% dos 2,5 mil associados — geradores, distribuidores, comercializadores e grandes consumidores de energia, entre outros.

O pacote de socorro às distribuidoras foi motivado pela conjunção entre exposição involuntária das empresas ao mercado de curto prazo e o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, que elevou o Preço de Liquidação de Diferenças para o teto de R$ 822,23 por megawatt-hora (MWh) e ampliou o uso de energia térmica, mais cara. Em entrevista ao Brasil Econômico, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite, disse que, sem ajuda, a inadimplência seria generalizada.

O governo estima que o valor da ajuda deve chegar a R$ 11,2 bilhões, valor necessário para cobrir as despesas das concessionárias de distribuição com compra de energia no curto prazo e custos com termelétricas no período entre fevereiro e dezembro de 2014 — apenas para liquidar as operações de fevereiro, as empresas receberão R$ 4,7 bilhões. O empréstimo será concedido por um consórcio de bancos e será pago a partir do ano que vem, com recursos obtidos a partir do reajuste das tarifas de energia.

Segundo a CCEE, a assinatura do contrato de financiamento será realizada nesta sexta-feira, em São Paulo.

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