Investigação americana sobre Pasadena pode agravar crise do governo

Entre os deputados da base governista, a crença é que uma punição internacional poderia servir de argumento para uma ação política contra Dilma Rousseff

Por O Dia

No Brasil, a Procuradoria Geral da República já isentou a presidenta Dilma Rousseff de responsabilidade por eventuais irregularidades na compra de PasadenaUeslei Marcelino/Reuters

Para deputados que fazem parte da base governista, mas não são próximos ao PT, o principal argumento que pode, hoje, abalar a credibilidade do governo da presidenta Dilma Rousseff (PT) viria dos Estados Unidos. Nada a ver com ações militares e de espionagem como em outras épocas. A maior ameaça de estrago seria uma investigação conduzida pela Securities and Exchange Commission (equivalente à Comissão de Valores Imobiliários no Brasil) sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Na época, a presidenta comandava o conselho de administração da Petrobras. Existe uma tradição entre os americanos de responsabilizar os conselhos também quando são encontradas irregularidades em empresas de capital aberto, como é o caso da petrolífera brasileira.

Caso a comissão entenda que houve desrespeito às leis do mercado e os acionistas foram prejudicados, a empresa brasileira e seus dirigentes podem ser punidos e o caso encaminhado para a esfera criminal. Os critérios nos Estados Unidos são diferentes dos utilizados no Brasil. Aqui, por exemplo, a Procuradoria Geral da República já isentou a presidenta de responsabilidade por eventuais irregularidades na compra da refinaria. Entre os deputados, a crença é que uma punição internacional poderia servir de argumento para uma ação política contra Dilma. No mais, não enxergam sinais até agora para uma responsabilização pessoal da presidenta por conta das irregularidades na Petrobras. Por mais que ela não tenha se empenhado como deveria para encerrar a crise. Um exemplo é agora a indicação de Aldemir Bendine para presidir a empresa.

Temor entre governistas

Há um temor entre alguns governistas de que eventuais novas denúncias contra Aldemir Bendine, o ex-presidente do Banco do Brasil indicado para o comando da Petrobras, piore a situação. Pouco antes de o motorista Sebastião Ferreira da Silva - que trabalhou para Lula -, ter ido ao MPF em São Paulo, no ano passado, afirmar que teria transportado dinheiro em uma sacola para Bendine e feito pagamentos para ele com altas somas em dinheiro vivo, surgiram outras denúncias anônimas contra o executivo. Essas não foram comprovadas. Nem chegaram a ser investigadas. Procurado, Silva disse que não falará mais sobre o assunto.

Pulo polêmico

Em conversa com sindicalistas, durante o encontro do PT em Belo Horizonte, o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, classificou como “um circo” a ação da PF em sua casa para levá-lo a depor. Ele garantiu que o portão da casa, que foi pulado por policiais, estava aberto.

Promessa a índigenas é de diálogo

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), garantiu que vai manter o diálogo com os índios caiapós. Os indígenas querem a retirada da pauta da PEC 215, que passa para o Congresso o poder de demarcar terras de povos tradicionais. O parlamentar é aliado da bancada ruralista. A proposta não foi votada na legislatura passada e, por isso, seguiu para arquivamento com a mudança na composição da Câmara. Os ruralistas já conseguiram desarquivá-la.

Indenizações para evitar a PEC

Na reunião com Cunha, organizada pelos deputados Nilto Tatto (PT-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ), os caiapós propuseram que a Câmara aprove a regulamentação do pagamento de indenizações para agricultores que têm “títulos bons” das terras indígenas. Além de prejudicar índios em áreas em conflito, eles temem que a aprovação da PEC cause problemas também em regiões já pacificadas que são ocupadas pelos povos tradicionais há décadas.

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Com Leonardo Fuhrmann

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