Ação conjunta entre Renan e Cunha isola Michel Temer

Com interesse comum em desgastar o governo, os peemedebistas que presidem a Câmara e o Senado resolveram superar as diferenças e juntar forças. A parceria enfraquece a liderança do vice-presidente Michel Temer dentro do PMDB

Por O Dia

O presidente do Senado, Renan Calheiros (foto), e o da Câmara, Eduardo Cunha, já são considerados neoaliados no PMDBJonas Pereira/Agência Senado

Considerados adversários no PMDB, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), nunca estiveram tão próximos. Ambos já fizeram algumas reuniões para discutir ações conjuntas e não há dúvidas dentro do partido de que eles podem ser considerados neoaliados, pelo menos por enquanto, quando os interesses são comuns. A situação deixa o vice-presidente Michel Temer em uma situação cada vez mais delicada, pois a sua influência dentro do PMDB ficou menor nas duas casas legislativas. Temer é considerado o principal fiador da aliança do partido com o PT e, apesar das dissidências em vários estados, conseguiu manter a coligação ao menos formalmente na disputa do ano passado. O tempo de TV do PMDB era vital na campanha da reeleição.

Juntos, Cunha e Renan trabalham agora para desgastar o governo o máximo que puderem. A estratégia é uma retaliação à tentativa do Planalto de fomentar a criação de dois novos partidos, o PL e o Muda Brasil. Ambos se tornariam satélites, respectivamente, do PSD e do PR, mesmo se os peemedebistas conseguirem aprovar um projeto de lei que impeça as fusões de legendas recém-criadas. Além de enfraquecer partidos de oposição, a movimentação teria o PMDB como alvo. Os articuladores políticos de Dilma apostavam no fortalecimento das legendas dos ministros Gilberto Kassab e Antonio Carlos Rodrigues como forma de criar forças no Parlamento capazes de reduzir a influência peemedebista. O limite para Cunha dentro do PMDB é a sua avidez pelo poder. Dentro do partido, ele é visto muito mais como “cunhista” do que peemedebista.

Bate e assopra

Diferentemente de Eduardo Cunha, Renan já demonstrou sua fidelidade aos governos petistas. Por isso, há quem aposte que o senador vai desgastar o governo agora para depois aparecer como um aliado. Até pelas denúncias às quais resistiu, ele é visto como um artista da sobrevivência política.

O articulador

A ala petista que defendeu na Câmara um entendimento com o PMDB - no lugar da ferrenha disputa entre os dois partidos pela presidência da Casa -, comemorou ontem a ação de Lula como articulador político. Lula foi ao Rio conversar com o governador Pezão, Eduardo Paes e Sergio Cabral.

Carvalho no PT

Segundo comentários no governo, deve ser breve a passagem de Gilberto Carvalho, ex-secretário-Geral da Presidência, no Conselho Nacional do Sesi. Carvalho, na sequência, deverá assumir um cargo na direção do PT. A decisão será formalizada em junho, no congresso do PT.

Procurador busca apoio externo

Candidato a representante dos promotores estaduais no CNJ, o presidente do Movimento do Ministério Público Democrático, Roberto Livianu, está fazendo campanha fora da categoria. O objetivo é conquistar o apoio da sociedade civil na etapa paulista da disputa interna. Ele enfrenta o procurador Arnaldo Hossepian, aliado do procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa, que dá a palavra final sobre o representante do Estado na etapa nacional.

Paulistas negociam espaço no CNJ

O procurador-geral Marcio Elias Rosa participa de uma articulação para garantir que um representante dos promotores e procuradores de São Paulo integre o próximo mandato do conselho. O Ministério Público de cada um dos estados indica um nome para o procurador-geral da República, que deve apontar os seis representantes da categoria. A escolha será submetida à aprovação do Congresso antes de o candidato ser confirmado como conselheiro.

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Com Leonardo Fuhrmann

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