Em mensagem, Janot pede união e apoio aos colegas do MPF

Procurador-geral da República aposta em turbulências e ataques em função da divulgação da lista dos pedidos de investigação contra políticos na Lava Jato. Entre os 54 denunciados por ele ao Supremo estão os presidentes da Câmara e do Senado, além de outros parlamentares, governadores e ex-ministros

Por O Dia

O pedido de apoio foi a única manifestação interna de Janot sobre a Operação Lava Jato a todos os colegas do MPF nos últimos mesesDivulgação

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acredita que será alvo de críticas duras quando forem divulgadas as listas de pedidos de arquivamento e de investigação contra políticos com foro especial em razão do cargo. Por isso, enviou uma mensagem a todos os integrantes do Ministério Público Federal para pedir união e apoio dos demais procuradores nos momentos difíceis que deverá passar em função desse caso. Ele avalia que enfrentará revoltas e pressões do meio político, além dos questionamentos já apresentados pelos advogados dos réus quanto a forma como foi usada a delação premiada nas investigações. Assim, os embates internos poderiam fragilizar a situação do procurador-geral, que, além de atuar perante o Supremo, comanda o Ministério Público Federal.

Apesar de Janot ainda não ter apresentado o conteúdo da ação aos colegas, muitos procuradores já manifestaram solidariedade e até o parabenizaram pelo trabalho. O pedido de apoio foi a única manifestação interna do procurador-geral sobre a Operação Lava Jato a todos os colegas da instituição nos últimos meses. A decisão sobre a divulgação completa da lista será do ministro Teori Zavascki, relator do caso no STF, que também decidirá se rejeita, acolhe integralmente ou parcialmente o texto do procurador-geral. Ao todo, Janot pediu a instauração de inquéritos contra 54 políticos. A lista de pedidos de investigação inclui os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além de outros parlamentares, governadores e ex-ministros que teriam algum envolvimento na corrupção na Petrobras.

Bate e assopra

O PSD tornou o evangélico Sóstenes Cavalcante (RJ) suplente na Comissão de Direitos Humanos da Câmara para evitar que ele dispute a presidência do colegiado. Como consolo, sugeriu o deputado - ligado ao pastor Silas Malafaia - para relatar o Estatuto da Família, bandeira dos evangélicos.

Refundação do PT

Com a crise atual, a tese de refundação do PT voltou a ganhar força. Integrantes da corrente Mensagem ao Partido, reunidos desde ontem à noite, em Brasília, temem uma grande derrota petista em 2016 e, por isso, discutiam proposta de renovação das atuais direções.

Próximo round

O ex-deputado estadual do PT Simão Pedro, secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, contratou o advogado e ex-parlamentar petista Luiz Eduardo Greenhalg para defendê-lo em processo movido por José Anibal (PSDB). O tucano acusa Simão de envolvê-lo no caso Alstom/Siemens.

PSDB prorroga mandatos de dirigentes

O mandato de Aécio Neves como presidente nacional do PSDB e os de demais integrantes de diretórios municipais, estaduais e nacional do partido foram prorrogados em dois meses, por decisão de sua Executiva. A prorrogação é consequência do adiamento do calendário para as convenções (zonais, municipais, estaduais e nacional) que elegerão os diretórios. A justificativa, segundo o partido, foram dificuldades para a sucessão no diretório de Minas Gerais.

Aécio pode ser beneficiado em 2018

O que se especula nos bastidores, no entanto, é que a prorrogação — que pode se estender por mais um ano — tem o objetivo de beneficiar Aécio Neves. Pelo estatuto do partido, ele só pode concorrer à presidência do diretório mais uma vez. Se assumisse novo mandato neste ano, encerraria a gestão em 2017. Se deixar para o ano que vem, Aécio terminará o mandato às vésperas da escolha do candidato do partido à Presidência. E este seria o seu desejo.

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Com Leonardo Fuhrmann

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