Terceirização é pauta potente para a esquerda

Cientistas políticos apostam no potencial do tema, capaz de mobilizar não só a classe trabalhadora mais tradicional, como também setores da classe média que podem ser afetados pela perda de direitos trabalhistas

Por O Dia

Por Leonardo Fuhrmann (interino) - lfuhrmann@brasileconomico.com.br

Com presença forte nas redes sociais desde a semana passada, a terceirização pode se tornar um contraponto dos sindicatos e partidos progressistas aos protestos pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O tema será um dos principais focos das manifestações de amanhã. O texto-base do projeto que regulamenta a terceirização foi aprovado na Câmara na última quarta-feira, sob protestos das centrais sindicais e com o apoio de entidades patronais. O PT, o PSOL e o PCdoB foram as principais vozes contrárias à proposta no plenário.

O texto-base do projeto que regulamenta a terceirização foi aprovado na Câmara na última quarta-feira%2C sob protestos Divulgação

Cientistas políticos como Wagner Iglecias, da USP, e Aldo Fornazieri, da FESPSP, apostam no potencial do tema, capaz de mobilizar não só a classe trabalhadora mais tradicional, como também setores da classe média que podem ser afetados pela perda de direitos trabalhistas garantidos na CLT. Para Iglecias, o assunto deve tomar novas proporções a partir do momento em que as pessoas passarem a compreender melhor o impacto da medida. “Se mesmo a corrupção atinge as pessoas de forma indireta, a precarização tem impactos imediatos em suas vidas”, diz. Apesar de estar empenhado em evitar a terceirização, o sucesso da pauta não deve servir para aliviar muito a situação do PT na avaliação de Fornazieri. “Pode ajudar a tirar o partido do isolamento em que está atualmente, mas o passivo moral é muito grande para falar em um resgate a partir dessa pauta”, comenta. Segundo Iglecias, a decisão sobre aprovação ou veto à proposta pode ainda se tornar um problema para Dilma, ainda mais se as mobilizações populares contrárias não forem fortes. A já rebelada base do governo votou maciçamente a favor da terceirização.

Segundo round

Derrotados na votação da semana passada, deputados do PT, PCdoB e PSOL se articulam para aprovar emendas para reduzir o impacto da terceirização. O PCdoB pretende apresentar uma emenda de bancada para proteger os trabalhadores das atividades fins da empresas. O assunto vem sendo tratado com líderes sindicais. Os petistas também estão aproveitando o debate para cuidar da imagem do partido. Seus deputados posaram para fotos com a Carteira de Trabalho nas mãos.

Um ano de espera

O ministro do STF Gilmar Mendes enfrentou uma manifestação de estudantes ontem na UFBA. O motivo é a Adin da OAB contra o financiamento eleitoral por empresas. A maioria do tribunal já votou contra esse tipo de doação. Mas o julgamento está parado desde abril do ano passado por um pedido de vista de Mendes.

Como em 2013

A diminuição do tamanho das manifestações contra o governo não acalmou os petistas, pois a rejeição a Dilma continua alta, como indicaram as pesquisas divulgadas na semana passada. A aposta é que os atos pelo impeachment ou por uma intervenção militar percam força, pela falta de base política e jurídica. Mas as manifestações devem continuar, com pautas mais claras e que sejam possíveis de serem negociadas. Como na sequência dos protestos de junho de 2013.

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