Levy aponta a lição dos ingleses

Ministro da Fazenda usa vitória do conservador David Cameron em discurso para seduzir opositores de sua política econômica

Por O Dia

Desde a quinta-feira, quando o conservador David Cameron ganhou a disputa eleitoral na Inglaterra, Joaquim Levy acrescentou um parágrafo ao discurso de austeridade com o qual procura seduzir os adversários de sua política econômica: “O resultado das eleições inglesas é uma grande lição para todos nós. Não foi só o Cameron que ganhou graças a uma política fiscal severa que deu certo. Toda a coalizão foi vitoriosa por ampla maioria. O país saiu rápido da crise e voltou a crescer".

Joaquim Levy diz que não foi só David Cameron (foto) que ganhou graças a uma política fiscal severa que deu certo. Toda a coalizão foi vitoriosa por ampla maioriaMatt Dunham/Reuters

Outro exemplo que poderia ser invocado pelo ministro é o choque dado por Carlos Menem, na Argentina, em 1991. O ministro Domingo Cavallo dolarizou a economia, promovendo um dos mais bruscos ajustes que o país jamais imaginaria experimentar, com um resultado excepcional — hiperinflação foi debelada, verdadeiro milagre num sistema próximo da infecção generalizada. Políticos e empresários reclamavam como cordeiros rumo ao sacrifício. Um ano depois, porém, houve eleições para governador e os peronistas obtiveram uma vitória espetacular, principalmente naquelas províncias onde Cavallo subiu no palanque, num lance político aconselhado por Menem. O sucesso, no entanto, foi passageiro. Tal como o legado de estabilidade do governo Lula foi dilapidado entre a metade do seu segundo mandato e o Dilma 1, algum tempo depois, o descuido com as contas públicas e a corrupção arrastaram a Argentina de novo para o precipício. A própria Inglaterra já experimentou ciclos de sucesso e decadência econômica. Nunca há garantia de perpétua estabilidade. Só um projeto de reformas constantes pode assegurar o fim da gangorra de êxito e derrocada que tem marcado nossa trajetória.

Me dá um dinheiro aí

No longo café da manhã que teve com os nove governadores do Nordeste, sexta-feira, em Natal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, prometeu liberar autorizações de empréstimos aos estados. O controle desse guichê represou R$ 200 milhões, estrangulando ainda mais as anêmicas receitas regionais. O governador de Alagoas, Renan Filho, disse que a mudança de tratamento de Mantega para Levy foi radical: “O Joaquim é franco e conversa conosco.”

Perdido de vista

São inúteis as pressões sobre o ministro Gilmar Mendes para que ele vote logo no caso que pediu mais tempo para estudar — proibição da doação de empresas para políticos em campanha. Gilmar visou chamar a atenção para a polêmica, ganhar o voto do substituto de Joaquim Barbosa e virar dois dos seis que já disseram não.

Fio desencapado

Pela segunda vez este ano, Eduardo Cunha começa a semana nas cordas. A busca realizada pela PF nos computadores de seu gabinete reforçou a suspeita de que ele é o autor dos requerimentos para investigar empresas implicadas na Lava Jato. Os pedidos teriam adoçado o recebimento de propina do qual Cunha é acusado. Na primeira vez em que se deu mal, quando entrou na lista de Rodrigo Janot, Cunha deu a volta por cima num depoimento espontâneo à CPI da Petrobras.

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