Oposição no Senado prepara candidatura contra Renan

Nome mais cotado para disputar a presidência da casa contra a base do governo é o de Ricardo Ferraço (PMDB-ES)

Por O Dia

Brasília - Em articulação silenciosa, a oposição no Senado busca entre peemedebistas insatisfeitos com o Governo Dilma um nome para enfrentar Renan Calheiros na briga pela presidência da Mesa. De férias na Europa, Agripino Maia (RN), líder do DEM na casa, e Aloysio Nunes (SP), líder do PSDB, enumeravam, na semana passada, possíveis senadores capazes de suplantar o candidato governista.

No Brasil, Aécio Neves (MG), que após a derrota na corrida presidencial ascendeu como a principal voz da oposição no Congresso, já conversava com colegas que o apoiaram na campanha. Para a oposição, não vale indicar um concorrente que não componha a base. Primeiro, porque já se sabe que não sairá vencedor; segundo, porque a intenção é provocar um racha na bancada peemedebista do Senado — mais contida nas divergências públicas do que a da Câmara.

“A oposição sempre votou no candidato contrário ao do governo, seja de que partido fosse. Desta vez, queremos lançar um candidato da base, melhor ainda se for do PMDB. A condição é que seja alguém capaz de vencer Renan”, comentou Agripino Maia.

O nome mais cotado é o de Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que já conversou sobre o assunto com Aécio, mas não se pronunciou. A questão é que Renan é quase uma unanimidade na Casa e nenhum outro integrante do partido pretenderia expor o seu nome com derrota dada como certa. Como se trata da maior bancada, o temor é de que haja retaliações nas negociações em torno da composição da Mesa e das comissões.

Embora já se saiba que Renan será o candidato oficial, o parlamentar ainda não se lançou. Aguarda para fazê-lo na véspera da abertura dos trabalhos, no dia 1º de fevereiro, assim como aconteceu quando saiu vitorioso para o seu atual mandato.

Com a mesma estratégia, a oposição decidiu só revelar seu candidato às vésperas da eleição. “Desta forma, não haverá superexposição nem o desgaste próprio das campanhas”, explica Maia. “Estamos verificando com muita tranquilidade todas as possibilidades e, na volta do recesso parlamentar, estaremos com a candidatura pronta”, completou.

Desta forma, praticamente não haverá campanha, ao contrário da corrida na Câmara. O candidato Eduardo Cunha (PMDB-RJ) lançou o seu nome em 2 de dezembro e Arlindo Chinaglia (PT-SP), em 17 de dezembro. Desde então, percorrem todo o país em encontros com deputados federais, governadores e prefeitos para conquistar votos.

Mesmo diante da evidência de que a vitória será de Renan Calheiros, Maia descartou a possibilidade de não haver outra candidatura: “Teremos candidato e esse candidato será da base do governo”.

O senador diz ainda que a oposição voltará fortalecida do recesso, com nomes como Antonio Anastasia (PSDB-MG), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) reforçando o discurso. Garante, porém, que votará a favor de matérias que contemplem a população, ainda que sejam pautas governistas. “Tudo o que for de interesse do país, votaremos a favor, ainda que seja de interesse do governo. Aquilo que for unicamente de interesse do governo, votaremos contra”, garantiu.

Maia não quis comentar as medidas provisórias que tratam da minirreforma previdenciária e trabalhista, consideradas injustas por sindicalistas, alegando desconhecer o teor. “Primeiro é preciso analisar se serão realmente medidas que vão melhorar o sistema previdenciário e trabalhista, ou se é apenas um mecanismo para reduzir os gastos do governo. Ainda não tive acesso às MPs”, disse. Reforçou, entretanto, que na primeira semana de sessões a oposição entrará com requerimento para a criação de uma nova Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar desvios de recursos da Petrobras.

“As delações premiadas estão apontando para a necessidade de duas linhas de investigação sobre a Petrobras: uma policial e outra política. A CPMI é necessária para cumprir este papel da investigação política”, comentou Maia.

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