Fabrício Boliveira fala sobre o seu papel em 'Faroeste Caboclo'

No filme, ator interpreta João de Santo Cristo, um herói que rouba, trafica e luta para mudar o próprio destino e para ficar ao lado de Maria Lúcia (Isis Valverde)

Por O Dia

Rio - Rapidez na fala e no pensamento, a cada frase. O ator Fabrício Boliveira, 31, diz gostar de trabalhar com coisas que provocam contradições e a sua nova onda é o João de Santo Cristo, que interpreta no filme ‘Faroeste Caboclo’, dirigido por René Sampaio, nos cinemas a partir do dia 30 de maio. João, como sabe todo mundo que ouviu o sucesso de nove minutos da Legião Urbana (no qual o filme é inspirado), é um herói que caminha no limiar da marginalidade: vende maconha, anda armado, passa temporadas na cadeia, é temido e destemido, mas tem seu lado romântico e, diz a canção, só queria mesmo era falar com o presidente.

Fabrício Boliveira interpreta João de Santo Cristo em 'Faroeste Caboclo'Felipe O%26%2339%3BNeill / Agência O Dia

“É um discurso maravilhoso, sem bonzinho nem mauzinho”, aplaude o ator, que faz par romântico com Isis Valverde (Maria Lúcia) e tem como algoz Felipe Abib (Jeremias).Ele também briga em cena com o policial corrupto Marco Aurélio (Antonio Calloni) e com o pai de Maria Lúcia, o senador Ney (Marcos Paulo, em sua última atuação). “A música fala de um povo que saiu do êxodo rural e foi jogado para as cidades periféricas. Imagino que o Renato Russo deva ter pensado: ‘Tô aqui em Brasília, mas como eu seria se fosse negro, pobre e nordestino aqui na cidade?’ O principal é que o João vai tentar reconstruir sua vida. A sociedade vivia falando que ele iria ter uma vida de miséria, desde cedo. Os personagens do filme poderiam ter outro destino se houvesse aceitação de classe, cor, de diferenças. É bem legal que esse filme surja bem na época dessas declarações do (presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara) Marco Feliciano”, diz.

Fabrício é fã da canção e da Legião Urbana. Abriu até um sorrisão assim que viu o LP ‘Que País É Este — 1978/1987’, terceiro da banda (de 1987), que tem ‘Faroeste’ e que levamos para as fotos — só não se arrisca a cantar os 159 versos sem ler o encarte . “Ah, não, aí vou cantar com erros”. Nascido em Salvador e interessado em teatro desde pequeno, Boliveira teve infância dúbia: era uma peste bagunceira em casa e um nerd “gago, de óculos e aparelho” no colégio.

“Lá só me chamavam de Genisson, que é meu nome: Genisson Fabrício Boliveira”, diz, rindo. Pediu para fazer o noivo numa festa junina do colégio e resolveu virar ator de vez, trabalhando em peças como ‘Capitães de Areia’ até estrear na Globo na novela ‘Sinhá Moça’. Aliás, quem começava a carreira na mesma novela era Isis Valverde, com quem hoje contracena em ‘Faroeste’. “Ela tem disposição para tudo. Tivemos cenas de sexo, de delicadezas emocionais. É uma parceira, foi uma relação de verdade”, elogia.

Fabrício Boliveira e Isis Valverde durante cena do filmeHugo Santarem / Divulgação

O ator, que recentemente coestrelou a série global ‘Subúrbia’, desistiu de fazer ‘Isto é Calypso — O filme’, que conta a história da banda paraense e está sendo dirigido por Caco Souza. Mas garante : sua saída nada teve a ver com as declarações da cantora do grupo, Joelma — ela teria dito que “se tivesse um filho gay, lutaria até a morte pela sua conversão”.

“Eu iria fazer o cara que ensinava o Chimbinha a tocar guitarra, mas não me instigou muito. Quando o Caco me chamou, assisti a um show do Calypso e mandei uma mensagem para ele dizendo que queria fazer a Joelma. Mas depois meu desejo era fazer uma traveca bem louca, que queria ser a Joelma”, diz, gargalhando. “Só depois soube dessa história das declarações dela. O engraçado é que ela é totalmente gay. Se fosse ela, colocaria toda essa história no filme e ainda punha minha traveca. Está faltando espelho para a Joelma, é o que recomendaria”, exclama.

No planeta do Hemp

“Um personagem legal tem que ter conteúdo, algo para discutir”, diz Fabrício Boliveira, que se prepara para provocar muita polêmica com um de seus próximos papéis: o rapper Skunk, primeiro parceiro de Marcelo D2, no filme ‘Meu Tempo É Agora’. Dirigido por Johnny Araújo, o filme relata a história da banda e começa a ser rodado em agosto.

“A ideia original era que o filme só falasse do começo da amizade, do início do grupo, mas vamos chegar até nossa prisão em 1997”, conta Marcelo D2. Nomes como Nanda Costa (Sônia, primeira mulher de D2) e Stephan Nercessian (Dark, pai de D2) já estão confirmados.

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