‘Muita Calma Nessa Hora 2’ estreia recheado de sátiras ao mundo da música

No filme Bruno Mazzeo interpreta o cantor de sertanejo universitário Renan, dono de uma canção-chiclete

Por O Dia

Rio - Sobrou para os sertanejos, a banda Los Hermanos, os paulistanos, seguranças de eventos, hippies, fãs do Chiclete com Banana e mais uma infinidade de figuras, que viraram sátira nas mãos dos roteiristas Bruno Mazzeo, Lusa Silvestre e Rosana Ferrão. Mas, como já indica o título da sequência da comédia que estreia amanhã, ‘Muita Calma Nessa Hora 2’, dirigida por Felipe Joffily, não há motivos para discórdia. 

'Muita Calma Nessa Hora 2' estreia amanhã recheado de sátiras ao mundo da música%2C como a canção-chiclete cantada por Bruno Mazzeo%2C que vive o cantor de sertanejo RenanDivulgação


“Uma das chaves do humor é a crítica”, avisa Mazzeo, que também faz parte do elenco e é um dos produtores do longa.“Já me perguntaram muito se espero uma resposta dos sertanejos. Cara, eu não fiz nenhuma pergunta para eles! As pessoas que se expõem estão sujeitas a sátiras. E, se for assim, todo mundo vai ficar incomodado com o filme”, diz. 

É que na continuação da história de 2010, protagonizada por Gianne Albertoni, Andreia Horta, Débora Lamm e Fernanda Souza, elas voltam na pele de quatro amigas que se reencontram em um grande festival de música carioca. Na programação dos shows, está Renan (Mazzeo), uma celebridade sertaneja de topete engomado e temperamento fútil, autor do hit ‘Paracadá’; o Los Cunhados, grupo de barbudos liderado pelo vocalista intelectual e sensível Neco (Rafael Infante); além de Marcelo D2 e Jota Quest, que fazem participações especiais na trama. 


Se no primeiro filme o quarteto decide relaxar em Búzios, onde passa por momentos de diversão, agora, o cenário é o Rio de Janeiro, cidade em que as amigas moram e se reencontram mais maduras, três anos após a inesquecível viagem ao balneário. A hippie Estrella (Débora Lamm) acaba de reencontrar o pai (Nelson Freitas), após voltar da Argentina, de onde trouxe uma samambaia herdada pela avó. Aninha (Fernanda Souza) baseia todos os seus passos na consulta que teve com uma vidente (Heloísa Périssé). Tita (Andreia Horta) retorna da Europa em busca de trabalho como fotógrafa. E Mari (Gianne Albertoni) está trabalhando na produção do tal festival.

“Várias coisas no filme são inspiradas em situações pelas quais já passei ou que sei que estão por aí”, revela Mazzeo. Uma vez, em uma pousada em Caraíva (BA), ele reclamou que o ar-condicionado de seu quarto não estava funcionando. A resposta do dono do local foi incorporada em situação idêntica na trama: “Para que ar, se temos uma brisa maravilhosa?” Percebendo que ninguém olha muito para os seguranças, resolveu fazer uma brincadeira e convidou Hélio de la Peña para interpretar todos os seguranças do festival de música. Já para seu personagem, Renan, Bruno jura não ser baseado em nenhum cantor específico. 

Fernanda Souza%2C Gianne Albertoni%2C Débora Lamm e Andreia Horta são as protagonistasDivulgação


“Foi mais em cima do estilo: a roupa, aquele cabelo para cima, o sotaque do centro do país. É um estereótipo de uma figura muito presente na nossa cultura”, explica ele. Só que Renan não herdou apenas a estética adotada pela maioria das celebridades do sertanejo universitário. Na trama, o cantor fictício dá chilique no camarim sempre que alguém tenta passar a mão em seu cabelo, além de armar situações para ser fotografado por um paparazzo. “Tem muita gente que faz isso mesmo”, garante Mazzeo.

Nem bandas do rock alternativo passaram batidas. “Lógico que o Los Cunhados remete direto ao Los Hermanos, pelas camisas xadrez, barbas... Esse é o protótipo mesmo”, diz Mazzeo, que chamou Marcelo Adnet — que também interpreta um paulistano — para compor uma letra para o sertanejo e Edu Krieger para criar as composições do Los Cunhados. “No caso do Renan, queríamos uma música tipo a desses caras, com refrão grudento, uma palavra que não quer dizer nada no meio de uma letra que também não quer dizer nada e que tenha um pouco de ostentação”, detalha o roteirista.

Aliás, no roteiro estão as mais diversas figuras do nosso dia a dia, representadas por 30 participações especiais do filme — característica herdada do primeiro longa da sequência. Lúcio Mauro Filho, Marcelo Tas, Marco Luque, Alexandra Richter, Daniel Filho, Maria Clara Gueiros, Paulo Silvino e Luis Lobianco são alguns dos que marcam presença.

“Depois que trabalho e tenho a história, vou botando molho em cada personagem”, conta Mazzeo, que diz que, acima de tudo, quis homenagear o humor. “Filmamos uma cena igual à de ‘O Palhaço’, com o Emílio Orciollo Netto. Foi do nível de ligar para o Selton Mello (diretor de filme) e pedir autorização. Ele perguntou se não íamos sacanear muito e liberou!”, diz. 

QUEBRA-CABEÇA CINEMATOGRÁFICO

Sem verba para organizar um show exclusivamente para filmar as cenas de ‘Muita Calma Nessa Hora 2’, o diretor Felipe Joffily só teve uma opção: fazer imagens de apoio em festivais reais e usar muita computação gráfica na hora da montagem — o que tornou o filme um verdadeiro quebra-cabeça cinematográfico. “Esse era o recurso máximo que eu tinha para fazer as cenas”, 
diz o cineasta, que contou com um orçamento duas vezes maior do que o do primeiro longa — cerca de R$ 6 milhões.

A cada tratamento do roteiro que Felipe recebia, o festival de música, que é a base da comédia, crescia. “Cheguei a ficar desesperado. Teve uma hora, quando começamos a filmar o show do Neco (personagem de Rafael Infante), que chegou a ser constrangedor, porque era ele cantando para um campo vazio, onde só se ouvia o barulho de grilos”, lembra Felipe Joffily.

A multidão vista na tela é fruto de várias técnicas de computação gráfica, mescladas às imagens de apoio. “Não chegamos a ter nem cem figurantes ao todo”, revela o diretor. O jeito da produção foi improvisar para unir as imagens na hora da edição, criando uma sequência perfeita.


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