Espetáculo para assistir até de olhos vendados

No lançamento de seu primeiro CD, a cantora e atriz carioca Andreia Mota provoca plateia a sentir sua música no escuro

Por O Dia

Rio - No show, o público está de olhos bem fechados. Apenas a cantora e o pianista mantêm os seus abertos — e um ou outro cri-cri do contra, que eventualmente não entra na onda sugerida por Andreia Mota. 

A cantora e atriz carioca Andreia Mota Divulgação


“Peço para vendarem os olhos em um momento da apresentação. A ideia é fazer com que a plateia perceba a música de uma forma diferente. Observo que até a postura das pessoas muda nessa hora. É como se saíssem daquele ambiente”, descreve ela. “Algumas não vendam, tudo bem, não é obrigado, só se sentir à vontade.”

A experiência acontece durante a canção ‘Paisagem Invisível’, que dá título a seu primeiro CD. As surpresas, no entanto, não param por aí, e no show de lançamento, hoje, no Solar de Botafogo (Rua General Polidoro 180), todo número guarda algo especial.

“Cada música é uma cena, tudo muda. E cada cena serve para potencializar a música, para traduzir a sensação da letra para o público”, explica. Carioca, Andreia Mota, além de cantora, é atriz, daí essa ideia de unir as duas vertentes de sua formação artística: o canto e a atuação. Ela conta que isso, de conduzir o público por “paisagens” em um roteiro cênico-musical, é inspiração da linguagem do poeta Manoel de Barros. E acrescenta que o nome do disco surgiu a partir do prefácio de ‘O Cancioneiro’, de Fernando Pessoa.

“Calma! Ninguém precisa conhecer essas influências para gostar ou entender minha obra. Basta receber a música, e daí gostar ou não gostar através de sua sensibilidade, que é inerente a qualquer um, independentemente do que se tenha como referências”, ressalta.

No palco, Andreia mescla temas de compositores consagrados como Milton Nascimento, Wilson Batista e Guinga, com seus contemporâneos Thiago Amud, Marcelo Fedrá e Renato Frazão.
<CW-5>“No início da carreira, eu pensava: ‘Ah, não tem muitas músicas legais hoje’. Mas, durante o processo de produção do disco, descobri artistas novos excelentes. Não faltam compositores maravilhosos, acho que falta é espaço. Não estou me lamentando. Estou, sim, aprendendo a me movimentar no meio disso para me fazer conhecer”, pondera.

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