Em alta, a cachaça, orgulho nacional, ganha status e vira estrela de drinques

Mais brasileira, impossível: cheia de apelidos, como ‘marvada’ e tira-juízo, a bebida vira moda e é protagonista de drinques refinados

Por O Dia

Rio - A brincadeira teria começado com a chegada da família real e da princesa Carlota Joaquina, que incluía em sua lista de compras quantidades generosas de frutas e bafo de tigre. Sim, cachaça. O destilado pioneiro das Américas, criado no início do século 16 e vivendo atualmente dias de glória.

A atriz Juliana Martins adorou as misturas feitas no Meza Bar com pinga artesanalJoão Laet / Agência O Dia


De produção artesanal e refinada, a bebida começa a ser reconhecida entre os melhores destilados do mundo, e se torna a bola da vez entre premiados mixólogos da cidade, que confirmam a evolução da Drincologia Brasileira — expressão utilizada no recém-lançado livro ‘Carta de Cachaças do Estado do Rio de Janeiro’, produzido pela Associação dos Produtores de Cachaça (Apacerj) e o Sebrae/RJ.

“É uma bebida que conta a nossa história e está melhorando muito com as produções pequenas e artesanais. Os drinques estão seguindo a tendência de valorizar o produto brasileiro, e isso é ótimo”, diz a atriz Juliana Martins, intérprete da repórter Jojô na novela ‘Geração Brasil’.

No Meza Bar, cenário de alguns dos melhores drinques da praça, ela provou e aprovou o Terezinha, coquetel que vem na garrafinha e leva sucos de beterraba, banana e laranja, xarope de gengibre e cachaça Yaguara. A marca utiliza canas de cultivo orgânico no Paraná, em blend de pequenos lotes destilados na elogiada cachaçaria Weber Haus, no Rio Grande do Sul.

O estado do Rio começa a se destacar no cenário da produção de alta qualidade, com 17 alambiques resenhados na citada ‘Carta’, e marcas como São Miguel, de Quissamã, agraciada com a medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas — onde enfrentou uísques e vodcas —, já servem a coquetéis como as batidas de maracujá do Salve Simpatia, de Niterói.

A Rochinha, feita em Barra Mansa, foi escolhida pela Academia da Cachaça para a Cocada Geladinha, que leva frozen de coco, água de coco e a ‘marvada’. E o Mangue Seco utiliza a marca própria da casa, produzida em Paraty, em drinques como o El Manguito, com limão, hortelã e soda limonada. O roteiro das delícias está na página, assim como a história do tira-juízo produzido pelo músico Marcelo Bonfá, ex-Legião Urbana. Só coisa fina que passarinho não bebe.

PERFEIÇÃO

Nascido em Itapira (SP), entre plantações de cana, e fundador, em Brasília, de uma instituição musical chamada Legião Urbana, o baterista Marcelo Bonfá retornou à natureza, de onde retira a matéria-prima para a cachaça Perfeição. A pequena produção orgânica vem da fazenda do músico em Santo Antonio do Rio Grande, na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais.

“Se a gastronomia é o novo rock, eu tinha que fazer uma cachaça”, resume Bonfá. Ele vende o produto em garrafas de champanhe com lacre de cera e rótulo que mistura canas de açúcar a caveira estilizada. “Em boas mãos, um drinque com cachaça pode ser delicioso. Nada de vodca, caipirinha tem que ser com a bebida brasileira”, afirma.

No Rio, o produto está no .ORG, restaurante de orgânicos na Barra (2493-1791), onde a chef Tati Lund faz sorvete de cachaça com leite de amêndoas (R$ 16), e caipirinhas como a de frutas vermelhas com manjericão (R$ 18). A garrafa da Perfeição é vendida a R$ 189 no local, e encontrada também no site: cachaca perfeicao.com.br.

O MELHOR DA CANA

ACADEMIA DA CACHAÇA. A Cocada Geladinha leva frozen de coco, água de coco e cachaça Rochinha, artesanal produzida em Barra Mansa (R$ 14,50). Ela também vai na Paçoca do Beco, drinque de amendoim e caninha (R$ 8,90). Loja da Barra no Condado de Cascais. Av. Armando Lombardi 800, lj 65 L (2492-1119). Seg, de meio-dia às 17h. De ter a qui, de meio-dia à 1h. Sex e sáb, de meio-dia às 2h. Dom, de meio-dia às 20h. Cc: Todos.

ACONCHEGO CARIOCA. Há caipirinhas especiais, preparadas com cachaça Magnífica, de Vassouras, como a de tangerina e manjericão, ou maracujá com hortelã e toque de pimenta biquinho (R$ 15). Rua Barão de Iguatemi 379, Praça da Bandeira (2273- 1035). De ter a sáb, de meio-dia às 23h. Dom, de meio-dia às 17h. Cc: Todos.

Juliana cita a cultura brasileira e elogia as combinações de frutas do Meza BarJoão Laet / Agência O Dia


BOTECO CONFRARIA. As doses da Cachaça São Miguel curtida em madeira de cerejeira são servidas com infusões de ingredientes como limão, cereja e canela (R$ 7). Rua Nóbrega 237, Jardim Icaraí, Niterói (2617-8110). De seg a qui, das 17h à 1h. Sex, das 17h às 3h, Sáb, de meio-dia às 3h. Dom, de meio-dia à 1h. Cc: Todos.

CASTRO.
A casa faz caipirinhas incrementadas com cachaça de alta qualidade: a mineira Claudionor, de Januária, envelhecida por um ano em barril de amburana, embala o drinque com caju e limão (R$ 13). Rua Castro Alves 88, Méier (3586-7622). Seg, das 11h30 às 15h30. De ter a sex, das 11h30 à 1h. Sáb, de meio-dia à 1h. Dom, de meio-dia às 18h. Cc: Todos.

EL BORN. O laureado barman Gustavo Stemler faz com a cachaça Yaguara o Bem Brasil, que leva carambola, maracujá, capim-limão e angostura (R$ 20). Rua Bolívar 17, Copacabana (3496-1781). De seg a sex, das 17h às 2h. Sáb e dom, das 15h às 2h. Cc: Todos.

MANGUE SECO. Com a caninha de marca própria da casa, produzida em Paraty, a cachaçaria faz drinques como o El Manguito, que leva limão, hortelã e soda limonada (R$ 16). Rua do Lavradio 23, Lapa (3852-1947).
De seg a sáb, a partir
das 11h. Cc: Todos.

MEZA. O drinque Terezinha leva cachaça Yaguara, suco de beterraba, banana, laranja e xarope de gengibre (R$ 25). Rua Capitão Salomão 69, Humaitá (3239-1951).
De dom a qui, das 18h à 1h. Sex e sáb, das 18h às 3h. Cc: Todos.

PARIS BAR. O premiado bartender Alex Mesquita criou o drinque Revolução Brasileira, que leva cachaça Yaguara, licor de cerejas Luxardo, suco de framboesa, suco de laranja e bitter cítrico (R$ 36). Praia do Flamengo 340, Flamengo (2551-1278). De ter a sáb, a partir das 17h. Cc: Todos.

RESTÔ. O drinque Ipanema Cooler é preparado com cachaça Nega Fulô, de Nova Friburgo, Cointreau, syrup de morango, purê de morango e suco de limão siciliano (R$ 18). Rua Joana Angélica 184, Ipanema (2287-0052). Diariamente, de meio-dia à 1h. Cc: Todos.

SALVE SIMPATIA. A batida de maracujá esperta da casa é feita com a cachaça São Miguel prata (R$ 14,90). Rua Nóbrega 239, Jardim Icaraí, Niterói (2705-6529). De ter a sex, das 17h às 3h. Sáb e dom, de meio-dia ao último cliente.
Cc: Mastercard e Visa.

STUZZI. Criado para a Copa, o drinque Pelé é feito com cachaça Leblon Signature, feita na mineira Patos de Minas e envelhecida por dois anos no carvalho francês. Leva compota de caju artesanal, geleia de damasco, Amaretto e pedaços de caju, e é servido no pote de vidro (R$ 27). Rua Dias Ferreira 48, Leblon (2274-4017). Ter e qua, das 19h à 1h.
De qui a sáb, das 19h às 3h. Dom, das 13h à meia-noite. Cc: Todos.

VOLTA. Um dos drinques feitos com aguardente é o Bulhufas (R$ 26), com cachaça mineira e orgânica Encantos da Marquesa, de Indaiabira, na região de Salinas, mais infusão de beterraba, limão, espumante brut e talo de manjericão. Rua Visconde de Carandaí 5, Jardim Botânico (3204-5406). De seg a qua, de meio-dia à meia-noite. De qui a sáb, de meio-dia à 1h. Dom, de meio-dia
às 18h. Cc: Todos.

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