Suzy Rêgo acredita que sua personagem em 'Império' vive um amor incondicional

Em entrevista ao O DIA, atriz afirma que já encontrou várias mulheres igual a Beatriz, sua personagem no folhetim das 21h

Por O Dia

Suzy Regô%3A 'Todos querem o Zé Mayer%2C mulheres e homens. Não tem para ninguém. No imaginário delas%2C ele faz ‘créu’ em quem passar na frente dele'Divulgação

Rio - ‘Quando eu crescer, quero ser igual à Beatriz.” A frase, dita e repetida por Suzy Rêgo, intérprete do polêmica papel de ‘Império’, revela a admiração que a atriz tem por sua personagem na novela das 21h. Se, para parte do público, a mulher de Cláudio Bolgari (José Mayer) é vista como uma coitada por ser casada com um bissexual, para a atriz ela é simplesmente uma heroína. “A Beatriz é uma mulher raríssima, grandiosa, generosa, exemplar. Ao encontrar o amor da vida dela e sendo o Cláudio um homem de grande caráter, honesto, ela aceitou o fato de não poder atender um setor do desejo dele. Eles têm um casamento sólido e são altamente cúmplices, se blindam, se protegem. Uma das grandes metas do ser humano é viver uma grande história de amor, e essa mulher está de parabéns porque alcançou esse objetivo. O problema é que a gente está acostumado a ver o amor de posse, não o incondicional”, diz.

E a importância que a vida sexual das pessoas tem na sociedade é coisa que Suzy mal consegue compreender. “Que diferença faz a prática sexual do outro? O que muda na vida da gente saber o que alguém faz entre quatro paredes?”, questiona. Mas será que a atriz, que é casada há dez anos com o ator Fernando Vieira, aceitaria manter uma relação nos moldes da que vive na trama de Aguinaldo Silva? “Sou caretinha, cafoninha. Mas me coloco no lugar dos personagens para interpretá-los, não fico pensando no que faria se fosse comigo. Várias vezes, disse que faria uma coisa e agi diferente quando estive na situação. Sou altamente mutante”, despista.

Estar na pele de uma personagem controversa, que dá o que falar, não deixa a atriz, de 47 anos, em uma posição desconfortável. Pelo contrário. “É bom ser o assunto do ônibus, da sala de espera, dos barzinhos. Isso é sinal de sucesso. Novela é um produto consumido com muita paixão. Mas o curioso é que muitas senhoras na faixa de 70 anos já me disseram que são como a Beatriz, que amaram muito os seus maridos, do jeito que eles eram. Elas me mandam continuar defendendo o Cláudio. Já muitas jovens dizem ter pena da Beatriz. Mas ela não é digna de pena, nem tem que arrumar um Leonardo (o jovem ex-amante de Cláudio, vivido por Klebber Toledo), como muitas pessoas sugerem. A Beatriz tem um homem que é um bom amante e um bom pai”, defende.

Suzy também fica à vontade ao ser invejada por homens e mulheres. “Fazer par romântico com o Zé é isso, né? Causa inveja (risos). Todos querem o Zé Mayer, mulheres e homens. Não tem para ninguém. As pessoas me dizem que aquele coroa é demais, que só melhora com o tempo. No imaginário delas, ele faz ‘créu’ em quem passar na frente dele (risos). O povo suspira pelo Zé. Mas ele merece! O Zé é um lorde, um doce de criatura, divertido, generoso, tudo de bom. A Beatriz é uma mulher de sorte: é amada e ainda tem um marido lindo”, elogia.

E para os que acham que não existe uma Beatriz na vida real, Suzy prova o contrário. “Eu conheço uma Beatriz. Ela tem um casamento longo, aberto e feliz. Uma vez, numa festa, eu perguntei se o marido não tinha ficado incomodado por ela dançar com outro homem de uma forma sensual. Ela disse para eu ficar tranquila, porque eu não conhecia a dinâmica da vida deles, que eles tinham um relacionamento seguro, confortável, onde havia permissão para a entrada de outras pessoas. Eu fiquei branca de vergonha. E ela ainda disse que eu estava julgando o comportamento deles. Fiquei constrangida, porque vi que estava errada, cada um sabe onde está a sua felicidade”, comenta.

O lugar da felicidade de Suzy está nos moldes tradicionais. Mas, dependendo do ponto de vista, a atriz, que é mãe dos gêmeos Mássimo e Marco, de 5 anos, tem o seu lado moderninho. “Eu libero o Fernando para sair com os amigos, ir a festas e ainda digo para ele não voltar antes das 5h da manhã. Mas meia-noite ele já está em casa. Nós sabemos a escolha que fizemos. A gente gosta de ser casado, de ser unido”, conta. Nessa relação, ciúme é coisa que simplesmente não existe. “Tenho zero ciúme do Fernando. Sabe por quê? Porque eu fiz muito teatro viajando e, quando os meninos querem aprontar, eles aprontam. Eles me diziam que amavam as suas mulheres, mas traíam. Eu não mexo no celular do meu marido, não me interessa ver o e-mail dele, a rede social. Não quero saber se o meu marido pulou a cerca. Eu tenho uma vida feliz. Agindo assim, não tenho que resolver o problema que eu não tenho. Eu venho para o Rio trabalhar e não fico pensando no que o Fernando está fazendo em São Paulo. Gosto de viver com liberdade e dou liberdade. Quanto mais você liberta, mais a pessoa quer estar perto de você”, acredita.

Toda essa segurança, no entanto, é fruto da experiência. “Eu pratiquei esse desprendimento. Eu era insegura, chata, achava que era assim que se mostrava amor. Uma vez, um namorado disse que eu não dava tempo para ele sentir saudade de mim. Chorei ao ouvir isso. Mas eu me desculpo, porque era inexperiente, imatura, equivocada. A partir daí, eu mudei”, afirma.

E o melhor é que o marido de Suzy também não sente ciúmes ao ver as cenas de amor de Beatriz e Cláudio em ‘Império’. “O Fernando não tem ciúme, pelo contrário. Ele enche o peito para dizer que eu estou poderosa, que estou fazendo par com o Zé Mayer”, entrega. Mas que ninguém pense que a atriz vive em um verdadeiro mar de rosas. “Todo mundo tem chatice, azedume, mau humor, carência, mas eu quero amar, crescer, eu quero viver um comercial de margarina. Felicidade se pratica. Talvez o segredo de um casamento longo e feliz seja ter tolerância, bom senso e não guardar raiva. É legal manifestar a sua insatisfação quando não gosta de alguma coisa, assim como admitir o erro, consertar, pedir desculpa”, aconselha.

Mãe na ponte aérea 

Como a grande maioria das mulheres, Suzy tem que se desdobrar nos papéis de profissional, mãe e mulher. E, para a atriz, essa questão tem um agravante quando ela está fazendo novela, já que o Projac fica no Rio e ela mora em São Paulo. “O Fernando é um paizão e os meninos não cobram nada, sabem que eu tenho que viajar para trabalhar. Eles ficam no paraíso quando estão só com o pai. Às vezes, falam para eu ir para o Rio (risos). Mas eles também me mandam mensagem de áudio dizendo que estão com saudade. É gostoso demais. Eu choro de felicidade. Nós queríamos muito esses meninos. Somos muito felizes com essa bênção dupla que recebemos.”

Passado de símbolo sexual

Quem já passou dos 40 ou está perto disso lembra perfeitamente do tempo em que Suzy Rêgo tinha um cabelão cheio, cacheado e fazia a modelo Carla na novela ‘Top Model’ (1989). O posto de símbolo sexual ficou para trás e a atriz não tem a menor vontade que seja diferente. “Não tenho obrigação de ser o que as pessoas querem que eu seja. Posso ter cabelo longo, curto, ser branquinha, bronzeada, vestir 40 ou 48. Não sou saudosista. Eu vivo o presente. Quem disse que só é feliz a mulher que é magérrima, linda, bem-sucedida e símbolo sexual? A top também tem seus problemas. O tamanho da minha cintura não está na minha lista de prioridades.”

Brigar com a balança é coisa que Suzy já não faz mais. Embora esteja no manequim 44 e queira chegar ao 42, a atriz aprendeu a se alimentar de forma saudável e está satisfeita com seu corpo. “É o que temos para hoje. Procuro ser saudável, mas não deixo de tomar a minha cerveja”, confessa. Ela também é desencanada com a idade. “Até faço botox de vez em quando, mas, se tenho 47, não posso querer aparentar 20”, atesta. Nem a proximidade da menopausa é motivo de preocupação. “Estou sentindo gigantescas ondas de calor. Eu brinco, erotizo, digo que é bem interessante. Ainda não entrei na menopausa, mas esse calor que vem de dentro já apareceu. É uma loucura, me divirto.”

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