Central do Brasil sai da monotonia e vira reduto de bambas do samba

Trem do Samba lembra o caminho histórico percorrido por Paulo da Portela enquanto criava clássicos das rodas

Por O Dia

Rio - A Central do Brasil tem um ritmo todo especial e um som muito peculiar, vindo das pessoas que vão e vêm, das catracas, dos anúncios nos alto-falantes, dos trens chegando e partindo das passarelas. Uma trilha sonora decisiva para a história do samba, como lembra Marquinhos de Oswaldo Cruz, anunciando que a 19ª edição do Trem do Samba parte amanhã, homenageando a histórica Dona Ivone Lara, 93 anos.

“Para fugir da polícia, o (baluarte portelense) Paulo da Portela (1901-1949) pegava o trem aqui mesmo na Central às quintas-feiras com os amigos. E ia compondo e tocando até chegar em Oswaldo Cruz. O seu Manacéia (1921-1995) também fez muito isso. Eu o ajudava a subir no trem!”, lembra Marquinhos, espantado. “As pessoas muitas vezes nem têm a noção de que a história está sendo construída na frente delas.”

Doze bambas do Trem do SambaBruno de Lima / Agência O Dia

O evento, costumeiramente realizado no Dia do Samba (que rolou na terça-feira), muda de data, mas continua fornido de bambas, como Nelson Sargento, Dorina, Noca da Portela, Tantinho da Mangueira e as Velhas Guardas da Portela, Mangueira, Vila Isabel, Salgueiro e Império Serrano. Além de novidades como Lu Carvalho, sobrinha de Beth Carvalho. A tarde abre às 13h com shows no palco da Central.

Às 18h04, horário em que Paulo da Portela voltava para casa, as conduções rumam a Oswaldo Cruz, com som em mais três palcos. Dona Ivone Lara canta às 21h30. “Vai ser um grande encontro do samba!”, diz a cantora, cujos sucessos (como ‘Alvorecer’ e ‘Sonho Meu’) foram parar nos nomes dos quatro palcos.

Reunião de bambas dentro do trem termina em sambaBruno de Lima / Agência O Dia

Marquinhos moveu montanhas para posar para o DIA. Vinha de um show em Maricá, atravessou a Ponte Rio-Niterói e correu para a Central — e fez um partido alto desculpando-se pelo atraso, que você vê abaixo.

Também aproveitou para versar sobre o próprio Trem, que faz 20 anos em 2015 e segue para mais longe ainda: voa até Nice, na França, em setembro, com um punhado de bambas.“Fizemos um show no consulado francês e nos convidaram!”, diz Marquinhos. E vai rolar um partido na língua de Coco Chanel? “Ah, vai ter que rolar. Até lá eu aprendo a falar e e rimar!”,jura.


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