Febre das cores

Para voltar à infância e desestressar: livro de colorir para adultos ‘Jardim Secreto’ é fenômeno de vendas e ganha muitos adeptos no Brasil

Por O Dia

Rio - A lista de livros mais vendidos do país, que costuma ser disputada por títulos religiosos, de autoajuda e gigantes da ficção, ganhou recentemente um concorrente inusitado. Entre ‘Philia’, do Padre Marcelo Rossi, ‘Nada a Perder’, do Bispo Edir Macedo, e os best-sellers ‘Cinquenta Tons de Cinza’ e ‘Divergente’, figura agora ‘Jardim Secreto’ (Editora Sextante, 96 págs., R$29,90), um livro de colorir para adultos que, desde seu lançamento, em dezembro do ano passado, já vendeu mais de 100 mil cópias no país.

No mundo, já são mais de um milhão de exemplares vendidos do ‘Livro de Colorir e Caça ao Tesouro Antiestresse’ (seu subtítulo), repleto de mandalas e cenários bucólicos, que convida o público a pegar as canetinhas, apontar os lápis de cor, voltar à infância e relaxar.

“Hoje, tenho três livros de colorir. Há uns dois anos, estava em um momento difícil, e achei que pintar ia me ajudar a sentir melhor. E acabou sendo muito bom mesmo, relaxa bastante”, afirma a cozinheira Joana Santos, de 36 anos. Ela não está errada: a eficácia terapêutica de pintar é justamente o que vem atraindo tantos adultos para o livro.

A produtora Roberta Saad medita com a pinturaDivulgação

“Parece uma brincadeira infantil, mas é uma atividade meditativa. Enquanto você pinta, concentra o seu foco unicamente no momento presente, sem preocupações com mais nada. O estresse é uma sobrecarga. Então, depois de um dia estressante, de cansaço e preocupação, é bom ter uma atividade criativa, que te faça trabalhar outras aptidões”, explica a terapeuta holística Paula Maia.

A ilustradora do livro, Johanna Basford, de 31 anos, também acredita que seus desenhos são uma boa maneira de relaxar — além de serem uma chance de se desconectar do mundo virtual.

“Recebo e-mails e mensagens de pessoas que vão desde bancários àquelas que trabalham com caridade, donas de casa e até as que estão em um hospital se recuperando. Estar completamente entregue a uma tarefa que não envolva uma tela de computador é tão relaxante! A vida de todos é sempre tão corrida e digital que colorir acaba sendo uma oportunidade de se desligar e estar 100% envolvido em uma tarefa sem ter o Twitter ou o Facebook constantemente avisando sobre uma nova atualização. É uma imersão muito feliz”, opina a ilustradora, cujo segundo livro, ‘A Floresta Encantada’ (Editora Sextante, 88 páginas, R$ 29,90), inspirado na fauna e na flora das paisagens da área rural da Escócia, onde mora, acaba de chegar às livrarias.

Outra fã do livro, a produtora Roberta Saad, de 28 anos, alinha a atividade com meditação na busca por uma vida mais zen e engrossa o coro da autora. “Eu faço meditação todos os dias, por 20 minutos, e a pintura para mim é mais uma forma de relaxar. Não penso em mais nada quando estou ali escolhendo as cores, acaba te livrando do estresse”, diz ela, que também pintou seu quarto todo.

É possível até usar a pintura na busca pelo autoconhecimento. “As mandalas são uma forma de você trabalhar o seu material inconsciente. Por exemplo, as cores que você escolhe têm total relação com as emoções, com o que está pensando e sentindo”, afirma Paula.

Para quem quiser entrar na febre das cores, separamos nesta página um coelho de Johanna para colorir, em comemoração à Páscoa. E não precisa se preocupar com a perfeição na hora de pintar. Quem garante é a própria ilustradora. “Confesso que não sou muito boa pintando. Muitas vezes, eu ultrapasso os contornos, e aí desenho um novo contorno, para não parecer que eu errei. Acho que dá pra chamar de estilo livre”, brinca ela, que completa: “O importante não é que esteja perfeito, mas que seja único e pessoal.”

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